27/12/2015
Posso chacoalhar essa página? Posso ver se ainda existe poesia na cidade dos minérios & região?
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zeitgeist (ou o clareante reino das sombras de doismilequinze)
por Tim Bührer
eu sou o copo que
transborda;
sou o pelo encravado no fundo do subaco cheirando mal e expelindo pus que você já não pode mais
ignorar;
sou a tempestadade do mundo;
sou secundarista, sou p**a,
vagabundo;
sou b***a, estudante e preto;
sou o avatar do
mundo
inteiro;
cagando regra nesse teu
preceito preconceito mal pensamento e que
se exploda!
eu sou a p***a toda!
sou umbanda e candomblé! xangô!
o anti-homem branco, o vira casaca, o anti hétero normativo o anti milico o contra h-o-m-e-m-d-e-b-e-m!
eu odeio o homem de bem;
sou o transbordódio, o fim da corrida
o último do pódium
que largou a fita
e resolveu
se
vingar;
sou militante, uso turbante e meus dreads não
se
escondem mais;
eu sou a prova de que o pensamento ocidental eurocêntrico
encontrou sua nêmesis;
quero o mundo negro, o mundo gueto o beijo gay;
quero até a alma dos donos dos meios de produção;
quero o fim dos encarcerados e dos irmãos
na
prisão;
sou o pobre, a mulher a trans sou o índio;
quero as terras, a reforma agrária, o emprego, o respeito
eu quero ser o síndico
e também quero
o condomínio;
eu sou o cão, o seu diabo
eu vou pro seu inferno e pra minha
salvação
hegel, eu sou o seu anti-espírito
da
razão;