07/04/2023
SEMANA SANTA DE INHAÚMA/MG
O Município de Inhaúma está localizado na região Metropolitana de Belo Horizonte, microrregião de Sete Lagoas, se encontra distante da Capital mineira a 90 km e faz divisa com os seguintes municípios: Cachoeira da Prata, Sete Lagoas, Fortuna de Minas, Caetanópolis e Esmeraldas.
Os primeiros habitantes da localidade foram os descendentes da família Ribeiro, que desbravaram a região, dedicando-se à lavoura e a pecuária.
Em 25 de janeiro de 1859 – segundo documentação existente - os herdeiros de Francisco da Silva Migri doaram um terreno para a construção de uma Igreja da qual em seu entorno surgiu o povoado de Inhaúma.
Em 4 de janeiro de 1875, criou-se o distrito e em 23 de abril 1878, foi criado o Curato. Em 1880 a Paróquia, da qual São Sebastião sempre foi o Padroeiro, ligada hoje a Diocese de Sete Lagoas, com a elevação à categoria de Município, em 1948.
Assim acredita-se ter iniciado nessa época a tradição da Semana Santa no município, onde todos os anos são representados com uma encenação onde fazem parte as imagens representativas de Nosso Senhor Morto, Nossa Senhora das Dores e Nosso Senhor dos Passos. A Imagem de Nosso Senhor Morto (Tombada como Patrimônio Material) é feita em madeira, possivelmente do final do Século XVIII e início do Século XIX, remanescente da primitiva Capela do Curato e que em conjunto com as imagens de rocas, Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores (Inventariados como Patrimônio Material) fazem parte deste grupo escultórico que são utilizados nas ações litúrgicas do “Calvário de Jesus” na Semana Santa em Inhaúma.
A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, onde é celebrada uma missa com a benção dos ramos.
Em seguida na segunda-feira é realizada outra celebração, logo dando sequencia a procissão do depósito da Imagem de Nossa Senhora das Dores em uma moradia de um fiel da comunidade.
Na terça-feira, temos a celebração das trevas em seguida à procissão do depósito da Imagem de Nosso Senhor dos Passos também em uma moradia de um fiel da comunidade.
É realizado na quarta-feira, a famosa procissão do encontro com as imagens, os homens vão para residência onde se encontra o Nosso Senhor dos Passos e as mulheres vão para a residência onde se encontra Nossa Senhora das Dores, todos seguem para o encontro em frente à Matriz de São Sebastião, logo após o sermão o Rito de Comunhão.
Acontece na quinta-feira, a celebração da ceia do senhor, missa do lava pés, logo após a desnudação do altar, translado do Santíssimo Sacramento, vigília e adoração na matriz até às 00h.
Na sexta-feira, da Paixão é realizado a Via Crucís um cortejo saindo da matriz
às 05h em destino ao cruzeiro na serra a cidade com uma pequena cruz simbolizando a crucif**ação de Jesus. Na parte da tarde, a igreja m***a um calvário, geralmente em um palco em frente à praça onde as pessoas passam para contemplar e rezar diante da imagem de Jesus Crucif**ado, exposta em frente à Igreja. À noite temos o sermão da paixão de cristo, na cena do Calvário, Maria torce as mãos em grande sofrimento. Ali também estão os companheiros da Cruz, São João Evangelista, o discípulo querido que console Maria enquanto olha para Jesus Crucif**ado, e Maria Madalena jogada ao chão, abraçada ao pé da cruz. O bom e o mau ladrão aparecem às vezes amarrados às suas cruzes, um de cada lado do Cristo. Segue-se a via-crúcis, quando Jesus inicia a subida ao Calvário ou Gólgota, carregando a cruz em que ia ser crucif**ado. Não aguentando o peso, devido ao seu estado de fraqueza e cansaço, Jesus cai três vezes, sendo então ajudado por um homem chamado Simão. Conhecida como “Senhor dos Passos”, essa cena é reproduzida nas procissões, por uma imagem de Cristo em tamanho natural, articulada, para poder ajoelhar, vestido com um camisolão roxo amarrado na cintura por um cordão branco. A cabeleira é feita com cabelos naturais que chegam até o ombro. Sua fisionomia, em que o sangue escorre das feridas feitas pelos espinhos, exprime toda a sua dor e sofrimento. Essa representação existia também em tamanho reduzido para se ter em casa, mas, por ser tão triste, não era muito usual. Verônica é a mulher que, ao ver o rosto de Jesus coberto de suor e sangue, dele se apoia e enxuga com um pano, sobre o qual milagrosamente f**a impressa a fisionomia do Cristo (Santa Face). Nessa hora extrema, Jesus entrega sua mãe aos cuidados do jovem apóstolo, dizendo: “Mulher, eis o teu filho. ” E a ele diz: “Eis a tua mãe” A terceira personagem sempre presente no Calvário é Maria Madalena, a mais célebre das pecadoras arrependidas. Ali, ela aparece prostrada aos pés da cruz, sua vasta cabeleira em desalinho. Começa assim o rito do “descerramento da cruz”, o Pároco responsável por proclamar o sermão inicia com destaque às últimas palavras pronunciadas por Jesus na cruz antes de entregar o seu espírito. “As sete palavras são as últimas mensagens de amor de Cristo em nome do Pai para a nossa humanidade, para cada um de nós, seus irmãos e irmãs amados, em que ele oferta a sua vida por amor ao Pai, por amor a nós, nos trazendo a salvação. São palavras de amor, de misericórdia, de esperança, palavras ainda atuais que nos consolam e nos entusiasmam na caminhada para segui-Lo”. A primeira, “Tenho sede” (cf Jo 19,28b): “Cristo tem sede do nosso amor, da nossa presença, do nosso seguimento”, afirmou o padre, que ainda ressaltou a palavra na qual Jesus nos dá Maria como mãe (cf. Jo 19, 26-27). “Maria, Senhora das Dores, que carinhosamente, como mãe, a cada momento da nossa vida, cuida de nós como seus filhos queridos”. Nos últimos momentos da meditação, os presentes assistem ao descimento de Jesus da cruz. Primeiro, é retirado a placa com a inscrição “INRI”; depois, a coroa de espinhos, seguida dos cravos pregados nas mãos e nos pés do Crucif**ado. Após o canto de Verônica, a imagem do Cristo Morto é levada para o esquife, ajeitada e coberta com ramos de alecrim, manjericão entre outras ervas medicinais e flores nativas. O esquife com a imagem de Cristo Morto é carregado em procissão pelas ruas da cidade ao som de matracas, orações, velas e os dobrados da Banda de Música. Carregado por personalidades importantes no município, o esquife e a imagem de Nossa Senhora das Dores percorreram as ruas da região central na tradicional “Procissão do Enterro”. Os fieis seguem todo o trajeto a pé, em filas, atrás do esquife, atrás dos andores, atrás da banda. O momento de acompanhar o Senhor Morto até a Sua sepultura é um sinal de fidelidade a Ele e de confiança na ressurreição. “Jesus morreu de verdade, mas não foi derrotado pela morte, Ele ressuscitará no terceiro dia”. Os fiéis, então, quando acompanham a Procissão do Senhor Morto, não acompanham com derrotismo, nem fazem o sepultamento puro e simples. Eles fazem um acompanhamento do Senhor que vai ressuscitar. Portanto é uma procissão de esperança, de gratidão; o “Senhor deu a vida por nós”. Após a Procissão do Enterro, as imagens do Senhor Morto e de Nossa Senhora das Dores são depositadas no interior da igreja, onde f**am expostas para veneração e oração dos presentes.
Durante o sábado acontece a Vigília Pascal, quando se benze o Fogo, a água batismal e depois se anuncia a ressurreição do Senhor com as aleluias, em seguida a procissão.
Finalizamos a Semana Santa com a realização do missa o Domingo de Páscoa, onde é comemorado a ressureição de Jesus Cristo.
Relatos da Semana Santa: Padre Admar
Histórico: Livro de Pesquisa do Acervo da Cultura
Pesquisa: Eric Martins
Fotos: Acervo da Cultura da e da Paróquia de São Sebastião