A revista Arte da Cena tem como ponto de partida conceitual a possibilidade de integração dialógica entre campos de estudo da cena, tomando como referência o crescente uso da expressão “artes da cena”, em centros brasileiros de pesquisa voltados ao estudo aberto do campo cênico. A integração dialógica pretendida parte de um princípio de intersecção, ou seja, dos pontos de contato que estabelecem c
orrelação entre experiências, sem desconsiderar diferenças. Este centro conceitual de intersecção pode ser bem definido pela palavra grega OPSIS, reafirmando a experiência concreta da cena como eixo de referência dos estudos cênicos. Por outro lado, a cena é compreendida como campo aberto, capaz de englobar elementos variados (cor, luz, espaço, corpo, som, objeto, movimento, palavra) em sua lógica cerimonial. Esta perspectiva valoriza estudos e profissionais outrora pouco valorizados, como aqueles voltados para a composição visual de um espetáculo (cenografia, figurino, iluminação, sonoplastia), abrindo-se, também, para novos olhares acerca de aportes clássicos: corpo-objeto, ator-espectador, encenação-coreografia. Deste modo, circunscreve um campo heterogêneo, capaz de integrar diversidades cênicas, de acordo com um princípio de exceção: a cena como eixo.