01/05/2021
Oi gente aqui
Hoje venho aqui pra explicitar e me posicionar quanto as recentes discussões envolvendo os termos dança de rua e danças urbanas.
Desde agosto de 2019, quando lecionei Danças urbanas contemporâneas no Lapiac UFG, utilizo o termo "Urbanas" pra tentar descrever os processos antropofágicos e de investigação coreográfica contidos nas aulas que também acolhem técnicas e fazeres da dança contemporânea.
Embora o termo seja utilizado há cerca de 15 anos, sendo defendido e difundido tanto por festivais de dança do Brasil quanto por nomes importantes da dança nacional, novas questões e acusações relacionadas ao termo, exigem um posicionamento de quem busca uma dança justa.
No ano passado, após a morte de George Floyd, homem negro assassinado por policiais brancos nos EUA, o movimento Black Lives Matter se posicionou contra a violência direcionada às pessoas negras, reivindicando o fim de uma desigualdade racial institucionalizada. Isso refletiu na percepção de que a palavra urban negava o protagonismo às pessoas que realmente construíram essa cultura, provocando um deslocamento de hegemonia e contribuindo com a desigualdade racial.
(O termo danças urbanas não é um termo que caracteriza um modo geral de fazer.
O termo "danças urbanas" é um termo guarda-chuva pra agrupar uma série de subdivisões de dança). Rafael Guarato em "Dança de Rua X Danças urbanas - Abrindo o debate" - YouTube - min 41:45.
O uso da palavra “urban” carrega um apagamento das origens, como explicou Hugo Oliveira, artista da dança, pesquisador, Gestor Cultural e Doutorando em Comunicação Social pela UERJ na Revista RolingsStonne
“O termo ‘urban’ foi estrategicamente utilizado para escamotear as culturas negras. A problemática dele, ao meu ver, se dá porque esse grande guarda-chuva não dá conta da origem de quem são os personagens que construíram essa dança ou aquela música”, falou o pesquisador.
Por isso, a partir de agora, abandono esse termo das minhas práticas e estudos em dança. Acredito na importância desse debate para que se pense no mundo da dança à luz do tempo presente. Optei por abraçar a minha responsabilidade como professora + (continua nos comentários)