19/03/2026
Um dia eu vou dizer “boa noite, meu amor” olhando nos teus olhos, e não para uma tela iluminada no escuro do quarto. Sem digitar. Sem esperar o “online”. Sem contar os minutos entre uma mensagem e outra como quem conta as batidas do próprio coração.
Um dia eu não vou precisar imaginar o teu abraço; ele vai estar aqui, quente, real, apertado do jeito que eu sempre sonhei. Não vou precisar reler conversas antigas para matar a saudade, porque a saudade não vai mais morar entre nós. Ela vai virar lembrança de uma fase difícil que a gente atravessou de mãos dadas, mesmo à distância.
Hoje eu digo “boa noite” pelo celular, tentando colocar em palavras tudo o que eu queria entregar em toque. Tento esconder o medo, a carência, a vontade absurda de você. Mas a verdade é que dói. Dói amar tão grande e ter que amar de longe. Dói querer cuidar e só poder escrever. Dói precisar do teu colo e ter que me contentar com um áudio dizendo que vai ficar tudo bem.
Mas se tem uma coisa que essa distância não fez, foi diminuir o que eu sinto. Pelo contrário, só provou que é amor de verdade. Porque é fácil amar quando se pode tocar. Difícil é amar quando tudo o que se tem é fé, saudade e promessa. E mesmo assim, eu fico. Eu escolho você. Todos os dias.
E quando esse dia chegar... quando eu finalmente puder sussurrar “boa noite, meu amor” no teu ouvido, sem precisar do celular como ponte... eu vou fechar os olhos com a certeza de que cada lágrima, cada madrugada, cada espera, valeu a pena.
Porque amar você nunca foi sobre facilidade. Sempre foi sobre verdade.