11/05/2026
SE LIGA NA MENSAGEM, CAMARADA! O Dia das Mães não pode ser apenas uma data de consumo.
Em 2026, o comércio espera movimentar R$ 14,47 bilhões com a data. Mas, enquanto o mercado vende afeto, milhões de mães brasileiras seguem enfrentando uma realidade dura: trabalho invisível, abandono paterno, violência doméstica, falta de creche, informalidade e renda menor.
Segundo o IBGE, as mulheres dedicam 21,3 horas semanais ao cuidado e aos afazeres domésticos, contra 11,7 horas dos homens. A FGV aponta 11,3 milhões de domicílios chefiados por mães solo, e muitas dessas mulheres vivem sem outro adulto para dividir responsabilidades. Além disso, o Censo 2022 mostra que 49,1% das unidades domésticas do Brasil têm mulheres como responsáveis — cerca de metade dos lares brasileiros.
Entre mães solo empregadas, cerca de 45% estão na informalidade.
No Bolsa Família, 84% das famílias atendidas têm mulheres como responsáveis, e 74,8% dessas responsáveis são mulheres negras. Isso mostra que a maternidade, no Brasil, é atravessada por classe, raça e desigualdade.
A violência também faz parte dessa estrutura: o DataSenado estima que 27% das brasileiras já sofreram violência doméstica ou familiar. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 1.492 feminicídios em 2024.
Por isso, defender as mães não é só entregar presente. É defender creche pública, renda, moradia, saúde, proteção contra a violência, divisão real do cuidado e responsabilização paterna.
Também é enfrentar o conservadorismo que tenta transformar a mulher em figura de obediência, seja na machosfera, no discurso redpill, em movimentos de masculinidade religiosa ou em setores católicos e neopentecostais que tratam família como hierarquia, não como cuidado coletivo.
Mãe não precisa de homenagem vazia. Precisa de direito garantido.
O Dia das Mães deve ser também uma data de luta por uma sociedade em que cuidar da vida seja responsabilidade de todos.