O grupo cRISe é um grupo de extensão do curso de Licenciatura em Teatro do IFCE(Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará ), em atividade desde 2004. O cRISe tem como diretor e coordenador Fernando Lira que é Doutor em Artes Cênicas pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), com a Tese “Procedimentos Para o Ator Risível”. A tese derivou uma oficina para a junção progressiva de p
esquisadores curiosos em buscar novos repertórios para a construção de formas risíveis, através de uma possível técnica para a formação do ator cômico. Nomeada por “Procedimentos do Ator Para a Cena Cômica”, teve carga horária de 120hs, dividida em três módulos: “Matrizes Para a Cena Cômica”; “Preparação Para a Cena Cômica”; “Montagem de Cena Cômica”. Nela foram formados onze atores/pesquisadores, que nomearam o Grupo por cRISe (Comicidade, Riso e Experimento). Temos como base teórica a obra “O Riso: Ensaio Sobre a Significação da Comicidade”, do filósofo francês Henri Bérgson. No estudo de Bérgson realizado pelo grupo, conhecemos o conceito do “mecânico colado no vivo”, segundo o qual as ações físicas na personagem cômica devem negar as suas vontades interiores. O corpo assume uma forma rígida que luta contra os desejos da personagem, o que torna risível por uma ação não justificada pelos gestos, ou ações frutos de distrações. Quando a atenção for chamada mais para mecanicidade dos gestos, contidos na ação física do que ela evoca, chega-se à comicidade. Com os estudos baseados em Henri Bérgson, o grupo desenvolve uma pesquisa de linguagem e da criação de um corpo para o ator, específico para a cena cômica, como também em outras ferramentas para o risível. Através de experimentos, iniciamos um estudo do que chamamos de “partituras corporais”, onde matrizes corporais, sem psicologismo, foram criadas anteriormente e independente do texto. Aos poucos, inserimos improvisos baseados em cenas, onde os personagens, já criados anteriormente, se moldam ao texto inserido. Pretendemos buscar novos repertórios para construção de formas risíveis, contribuindo para um aprofundamento na discussão crítica através do cômico, bem como ampliar a formação dos mais diversos profissionais: publicitários, cronistas, roteiristas de cinema, dramaturgos, produtores de programas humorísticos, ou qualquer pessoa que pretenda utilizar do riso uma ferramenta poderosa para comunicação artística e cultural, de uma forma crítica em geral.