No que torna-se “a fotografia” (como imagem tomada ao mundo num momento, como prática ligada à ideologia “da tomada” de vista e “do instantâneo”, como “documento” monumentalizado, como “vestígio” ficcionalizado, etc.), quando faz-se imagens “inventadas” por computador, ou mesmo simplesmente “tratadas” pelo numérico, por exemplo quando põem-se fotografias em movimento, ou quando fabricam-se, “false
iam-se” arquivos, ou quando misturam-se várias imagens no compósito, ou quando olham-nas projetadas sobre telas, quando organizam-se massas de materiais visuais encontrados na Internet, quando memórias fazem-se e desfazem-se cada, dia sobre as redes, etc. Ainda é “fotografia” ( e em qual sentido) ou passamos a outra coisa (e a que)? Evitemos de falar simplesmente do “reino das imagens”, indiferenciadas e generalizadas por e no “todo numérico”. Tentemos antes pensar o que resta da “fotografia” nas suas práticas (não tão novos quanto o resto)? No campo atual da arte “pós-fotográfica”, guardando efetivamente todos os desafios do que faz “a fotografia”, se deseja estudar mais particularmente e precisamente as mudanças de dispositivos, de usos e de valores, que acompanham as práticas. No que torna-se “o cinema” quando abandona-se o cinema (como forma, como suporte, como instituição, como dispositivos, todos canônicos)? Mais particularmente quando o cinema sai da sala ( de cinema), onde se constituía sua “especificidade” e sua força, não similar a qualquer outro, e ganha novos espaços de visão, como os espaços de exposição do museu e a galeria de arte, como os espaços públicos e externos da projeção de imagens nas cidades sobre as fachadas, como espaço privado da visão individual sob os pequenos aparelhos cotidianos ( computadores, smartphones, etc.). Aqui também a questão é: o que resta do “cinema” nisso tudo, nas instalações em vídeo, nas projeções nas salas de teatro ou de concerto, em telefones portáteis, nos aviões, nos taxis, nas vitrines das grandes lojas, sobre fachadas, etc.? Não é a pergunta “da morte do cinema”, que nos importuna desde tantos e os tantos anos, o que se estar perguntando. Mas o contrário: a sua expansão (expanded e extended cinema), a sua multiplicação, a sua potência de contaminação.A verdadeira pergunta é esta: por que continua-se a chamar isso “do cinema”? Qual é força esta forma que, oposto ao que pretendem os espíritos das tristezas, ganha terreno, e à qual preço? Mais globalmente, é sobre o que tornam-se as imagens hoje que é a questão sob o pretexto dessa dupla denominação: “Pós-Fotografia, Pós-Cinema”. O terreno das práticas artísticas será o campo da experimentação privilegiada (mas não exclusiva) de um certo número de ideais e de reflexões nesse sentido: por exemplo, a lógica do registo, da marca, do vestígio, que deixa pouco a pouco o lugar à da ficção, da invenção, do puro visualidade destacado de qualquer ancoragem referencial; ou o critério da imobilidade e do movimento aparente é ainda estruturante (para pensar o relação fotografia-cinema) na época da elasticidade temporal do numérico e das variações contínuas de velocidade da imagem; ou ainda a ideia fantasmática de projeção cede ao princípio de um valor de exposição generalizado das imagens; etc. O colóquio objetiva reunir, num mesmo quadro, especialistas dessas questões, assim também ( e de mesmo modo) universitários franceses e brasileiros, especialistas em fotografias e em cinema, pesquisadores seniors e jovens pesquisadores.