04/07/2022
Repost 🎧 Russo Passapusso - Paraíso da Miragem (2014)
Cheio de um movimento diaspórico entre Bahia e Jamaica, carrega em suas obras diálogos possíveis entre suas heranças culturais como, por exemplo, o repente nordestino e toast jamaicano. Essas são duas referências bastante presentes em suas obras, pois possuem uma narrativa de diálogo sobre o cotidiano que vive, acompanhado com uma base musical que traz ritmo à música.
Produzido pelo trio , e , esse foi o disco de estreia de Passapusso em 2014, em que já era conhecido na época pelo seu trabalho com BaianaSystem, Bemba Trio e Ministereo Público Sistema de Som. Em 2021, a relançou esse belo disco, dando-nos a oportunidade de conhecer e ir mais a fundo. Russo conta que seu primeiro disco é bastante inocente, em que as suas dores do cotidiano, das frustrações, perdas e memórias eram direcionadas à música, na busca por uma leveza e paz de uma criança.
Todas as músicas são de sua autoria, com exceção de “Areia” (parceira com Tatiana Lírio) e “Autodidata” (B Negão e Feal Primeiro). O disco abre com “Paraquedas”, uma forma de libertação através de um paraquedas “pra tu parar de guerra, pra tu para de dor, pra tu para de medo”.
Particularmente, “Sapato” é uma de suas obras mais gostosas de se ouvir e tocar, pois traz um banho de energia positiva e esperança da porta de casa para fora. Uma relação com a boemia, a vida urbana noturna, um sapato que anda pela cidade, “Num mundo quase perfeito, Um zum zum zum batendo no meu peito”, além de uma pegada bem funk.
Dentro de um movimento onírico, a arte gráfica é uma parceria entre o ilustrador Maurício Fahd e Ricardo Fernandes, em diálogo com Fillipe Cartaxo, que já trabalhava com o Baiana System, e com o próprio Russo, que buscava uma estética que representava sua vida na Bahia: uma mistura de contas, cores, mistérios, sincretismos e simbologias sentidas em seus sonhos.