11/03/2020
Se fazer grupo que debate relações étnicos-raciais nas perifas de Fortaleza, não é uma tarefa fácil. Em um Estado que nega a existência de nós negros, afirmar sua negritude já é um ato de resistência e resiliência. Sendo assim, o Negragem nasce da necessidade de falar sobre nós, nasce da ausência de um educação antirracista, cresce diante da percepção que as escolas e os professores são reprodutores de racismo.
Então, como nós podemos ser lidos como segregacionistas? Não sabemos. Por isso, estamos em público, por meio dessa nota, para deixar nítido que o Negragem não é excludente, muito ao contrário disso. Sentimos muito ao ver pessoas, com motivos escusos, espalhar inverdades sobre o grupo e a nossa atuação. Acreditamos que levantar calúnias sobre nós e nossa forma de atuação seja mais uma faceta do racismo de cada dia. Sabemos que estamos indo pelo lugar certo quando a branquitude se incomoda diante das nossas denúncias. E é por isso que vamos continuar fazendo! Vamos continuar denunciando e apontando os seus privilégios!
Vocês, man@s negr@s, sempre terão as portas do diálogo abertas conosco e vocês não-negros que querem somar nessa luta, no entendimento que o racismo estrutural existe e que foi criado pela branquitude, também são bem-vindos se quiserem dialogar. Apenas tenham noção do seu lugar e de seus privilégios diante de um mundo que é heteronormativo, cis e branco.
O Negragem não quer construir muros, nunca quis, mas sim pontes, para que nós negros possamos ter um vida plena, sem imposição de estereótipos que nos inviabilizam, nos maltratam e nos mata.
Com isso, por meio desta nota, deixamos bem ESCURO que não nos calaremos diante de falsas acusações, calúnias e difamações e que se for necessário lidar com isso juridicamente, lidaremos.
O Negragem não é bagunça!