Ferraz de Vasconcelos é uma das cidades mais pobres da Região Metropolitana de São Paulo, com alto índice de criminalidade e com poucas opções de emprego, cultura e lazer. A cidade não possui teatro, cinema, universidade e o único parque municipal está em situação precária. Em 2017, a prefeitura municipal extinguiu a Secretaria de Cultura. A Casa de Cultura Raízes, localizada na periferia de Ferra
z de Vasconcelos, é um dos poucos redutos de resistência cultural da cidade, e talvez o único espaço cultural sem apoio financeiro público ou privado, resistindo graças à parcerias pontuais e eventos de arrecadação, como a já tradicional Feijoada das Baianas, realizada em meados de maio. Com uma forte identidade afro, a Casa de Cultura Raízes celebra anualmente o mês da Consciência Negra (novembro) e, em 2017, surge a proposta de um evento literário, o LiteRaízes, como uma forma de unir jovens e antigas gerações através da atemporalidade da literatura. A Literatura, além de ser um convite à reflexão, é uma das melhores ferramentas artísticas para a perpetuação histórica da identidade de um povo, pois a Literatura não somente manifesta-se como linguagem mas também através de si possibilita o entendimento e o aprofundamento das outras linguagens que compoem o fazer artístico. E, ao contemplar outros fazeres artísticos dentro de um evento a princípio literário, promove-se também o diálogo entre as manifestações artísticas, potencializando o desenvolvimento, o aprimoramento e a criatividade. Como todo evento desenvolvido na Casa de Cultura Raízes, o LiteRaízes é aberto à comunidade, tendo esta como principal e desejado público. As mesas literárias, em forma de roda de conversa, são compostas por autores, professores e membros da sociedade que tenham alguma relação com a temática principal, proporcionando a troca de experiências e a identificação por parte do público. As mesas literárias acontecem em dias específicos e sempre contarão com uma ou mais intervenções artísticas, de linguagens variadas. Embora seja um evento dentro da celebração da Consciência Negra, o debate não necessariamente deve se restringir à temática racial, mas esta servirá como ponto de partida das discussões, assim como o debate deve evitar a abordagem puramente acadêmica e técnica.