31/03/2026
A gente espera madurar. Ele chegou devagar,
pé medindo o chão de terra batida,
olho aceso de quem escuta antes de falar.
O tambor já sabia seu nome
antes mesmo dele dizer —
grave, fundo, chamando
memória que nem ele lembrava ter.
Era primeira vez,
mas não era começo.
Algo antigo pulsava
no vão entre o medo e o desejo.
Entrou na roda
como quem pede licença ao tempo,
corpo meio duro, meio vento,
aprendendo o segredo do movimento.
O canto veio cru —
verde como folha nova
que ainda não viu verão.
Saiu trêmulo, curto,
quase sussurro de chão.
Mas veio.
E a roda ouviu.
E o tambor respondeu.
Um mais velho sorriu de canto,
olho de quem reconhece caminho:
— ainda tá verde, menino…
mas a gente espera amadurar.
E o coro abraçou o erro,
fez dele ponte, fez dele chão.
Porque no jongo, ninguém nasce pronto,
todo canto é plantação.
Ele saiu outro —
não inteiro,
mas aberto.
Levando no peito
um tambor que agora
sabia seu endereço. Fava Seugirdor