Projeto Novo Tribal

Projeto Novo Tribal Por um tribal unido,diverso e empoderado! Idealizado pela bailarina Ana Paula Medeiros, com aulas no

SOBRE HUMILDADE E SOBRE AQUELA """MORENA""" ARROGANTETodo mundo conhece uma figura dessas:Uma mulher negra que ocupa os ...
27/03/2018

SOBRE HUMILDADE E SOBRE AQUELA """MORENA""" ARROGANTE

Todo mundo conhece uma figura dessas:

Uma mulher negra que ocupa os ambientes dos quais faz parte de cabeça erguida, com uma atitude firme, está sempre buscando fazer o seu melhor (e muitas vezes fazer o seu melhor no sentido de ajudar as pessoas que também fazem parte daquele ambiente):

"Isso é atitude de uma pessoa arrogante".

Uma mulher negra que procura fazer a sua parte de uma maneira mais focada e direcionar os seus esforços mais para os seus próprios direitos e deveres:

"Isso é atitude de uma pessoa arrogante".

Ela é extrovertida, procura falar com todo mundo, interagir com todo mundo, se inserir nas dinâmicas do ambiente e conversar de igual para igual:

"Isso é atitude de uma pessoa arrogante".

Ela é introvertida, prefere ficar mais quieta no próprio canto e estar com aquelas poucas pessoas com quem efetivamente se sente segura:

"Isso é atitude de uma pessoa arrogante".

E, comumente, essas mesmas pessoas que taxam essa mulher de "arrogante" são aquelas que nunca chegaram pra conversar de verdade com ela. Conversar de verdade aqui entendemos como conversar de "igual para igual", desarmado, sem julgamentos. Conversar sobre a vida, sobre o tempo, sobre música, sobre futebol, sobre receitas de pudim. Nunca pararam pra ver o quanto na maioria das vezes ela é uma pessoa extremamente acessível, seja aquela que gosta mais de conversar sobre tudo ou seja aquela que, ainda que seja mais "quietinha", é cordial. E no entanto parece que, não importa o que uma mulher negra esteja fazendo, nós sempre a enxergamos como a "morena arrogante".

Primeiro passo: pode tirar o "morena" do vocabulário, querido leitor: ela é negra. E ela sabe disso. E você reconhecer ela como tal não dói nada. Negra não é ofensa. É uma característica dela.

Segundo passo, caro leitor: faça a si mesmo algumas perguntas. Vai doer um pouquinho pensar sobre elas, e talvez seja difícil responder, mas a gente sabe o quanto você quer sempre ser uma pessoa melhor para o mundo, e isso pode te ajudar.

Qual seria a (suposta) humildade que eu esperava dessa mulher? O que seria, para alguém como ela, "não ser arrogante"?
Quais atitudes me fazem pensar que ela é arrogante? O que me faz pensar que ela se acha melhor do que eu? Onde eu acho que é o meu lugar que ela está querendo tirar? E talvez a pergunta que resume tudo isso: Qual é o lugar a que eu acho que essa mulher negra pertence? Ela realmente está sendo arrogante ou sou eu que estou dando um lugar muito menor do que aquele que é de direito dela?

Pense consigo mesmo. Se faça essas perguntas. Quantas vezes você achar necessário. Pense sobre elas. Nem sempre é fácil, mas a gente está aqui pra te ajudar a se encontrar com as respostas.

"Ah, ela é arrogante porque ela fala alto", mas o que me faz crer que o tom de voz dela é um sinal de arrogância? O que me faz crer que é arrogante da parte dela se fazer ouvir? Por que eu acho que é arrogante da parte dela querer ser ouvida? Eu penso que ela não deve ou não merece ser ouvida?

"Ela é arrogante porque ela se mete onde não deve", mas o que me faz acreditar que aquele lugar onde ela está "se metendo" é um lugar onde ela não deveria estar? O que me faz acreditar que ela não deveria ocupar aquele espaço? Qual o lugar que eu acredito que ela deveria ocupar?

"Ela é arrogante porque ela quer se sentir melhor do que todo mundo", mas o que me faz acreditar que é isso que está se passando na cabeça dela? O que me faz acreditar que ela deveria se sentir inferior a ponto de quando ela se vê como uma igual eu achar que ela quer se sentir superior?

Complicado encontrar essas respostas? Dói pensar sobre elas? Então toma uma água e vem com a gente, nós estamos aqui pra te ajudar a evoluir como ser humano. Não é fácil, mas você não está sozinho.

Uma coisa que a gente precisa ter em mente e não pode esquecer é que a nossa realidade é fundamentalmente, estruturalmente RA***TA E MACHISTA. Não, calma leitor, não precisa sair correndo e montar um milhão de argumentos pra se defender agora. Ninguém aqui está falando que você especificamente é um membro da Ku Klux Klan que mataria enforcadas todas as pessoas negras que cruzassem o seu caminho, ou que você é aquele cara que bate em mulher. As pessoas se negam a refletir sobre o racismo e o machismo porque acreditam que racismo e machismo são só a violência expressa, de chamar o negro de "macaco", de agredir fisicamente a mulher, de "racismo é crime", de "olha a Lei Maria da Penha" (e que bom que as tipificações criminais existem pra tentar diminuir um pouco essas violências).

Mas aqui a gente não está falando só de violência física ou verbal, está falando de um sistema de sociedade que faz com que homens tenham mais privilégios que mulheres, e que pessoas brancas tenham mais privilégios do que pessoas negras. A gente não está aqui falando que homens ou que pessoas brancas não tenham dificuldades ou problemas, isso todo mundo tem. Estamos falando que, via de regra, pessoas negras sofrem coisas DIFERENTES do que pessoas brancas sofrem (do tipo ser parado pela polícia sem motivo algum só por ter "cara de suspeito"), e que mulheres sofrem coisas DIFERENTES do que homens sofrem (do tipo levar passada de mão na bunda no transporte coletivo).

E o que a gente precisa ter em mente é que o racismo e o machismo, esses sistemas de privilégio que beneficiam homens e pessoas brancas, são elementos que infelizmente ESTRUTURAM as relações na nossa sociedade. Eles estão presentes na economia, na política, na cultura. E também estão presentes no imaginário social. As pessoas são racistas e machistas mesmo "sem querer". Até mesmo mulheres negras reproduzem racismo e machismo, mesmo sem querer (e sem se beneficiar em nada disso).

E o que isso tudo tem a ver com aquela ""morena"" (negra, já falamos! Não esqueça) lá que é toda metida e cheia de si? Tem a ver com o que fundamentalmente você esperava dela enquanto sendo uma postura humilde.

Porque, querendo ou não, todos nós fomos criados com que imaginário sobre mulheres, e particularmente sobre mulheres negras? Quando falam de "mulher negra", qual a primeira imagem que vem na sua cabeça? Atire a primeira pedra se não foi a Mulata(sic) Globeleza ou a Tia Anastácia do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Você pode até ter pensado em outras depois, mas esses são os primeiros flashes que vieram na sua cabeça. A gente sabe que foram.

E o que isso revela? Revela que, inconscientemente, o que todos nós esperamos de mulheres negras é ou um comportamento essencialmente sexual, em que ela é um objeto para exposição, ou um comportamento subserviente, em que ela vai estar ali para servir a todos e aceitar tudo sem esperar nada em troca e sem se posicionar com relação a nada. Um papel de parede que está ali para enfeitar, ou uma bandeja que está ali para carregar nosso cafezinho.

E inconscientemente, para todos nós enquanto sociedade, a mulher negra que sai daquele modelo que ou é um bu**um rebolativo, ou é alguém que está sempre servindo e não tem boca pra nada, é lida como a pessoa que "não sabe se pôr no lugar dela". Admita, toda vez que você pensa naquela mulher negra que você acha arrogante (de graça), aí no fundo do seu ser vem o eco de "ela não sabe se pôr no lugar dela". Mas alguma vez você parou pra se perguntar o que você imagina que seja "o lugar dela"? Já parou para se perguntar por quê, afinal, você acha que ela não sabe "se pôr no lugar dela"? Se você se esforçar pra analisar esse ponto, vai ver que você pensa isso não porque ela realmente se coloque acima de você, mas porque o simples fato de ela se colocar de igual para igual com você te parece demais. Porque, inconscientemente, sem querer, você imagina que o lugar dela é "abaixo do seu". Ela se colocar de igual para igual te parece uma "arrogância, um ar de "superioridade", porque inconscientemente, sem querer, você imagina que o lugar dela é abaixo do seu. "Como ela ousa" ter voz, quando o que o imaginário coletivo te ensinou que ela não tinha boca para nada? "Como ela ousa" andar de cabeça erguida, quando o imaginário coletivo te ensinou que ela estaria sempre de cabeça baixa, carregando uma bandeja de quitutes para te servir? (Isso quando a cabeça dela de alguma maneira aparece e ela não é só um bu**um coberto de purpurina). "Como ela ousa" tratar de igual para igual com você, se o imaginário coletivo te ensinou que ela é menos do que você? Perceba, não é ela que é arrogante coisa nenhuma, é o imaginário coletivo que faz com que você acredite que qualquer coisa que ela faça sem ser "estar de cabeça baixa, limpando o chão com a língua e sem voz para nada" é demais para ela. É a crença inconsciente de que o lugar dela é um lugar subalterno, e qualquer coisa que ela faça sem ser subalterna é "arrogância demais" para ela. É uma "posição alta demais para ela".

Veja, a gente não está aqui dizendo que você pensa assim por querer. Que você é uma pessoa essencialmente má e que quer mais é ver os outros pelas costas. A gente sabe que você não pensa assim por mal. A gente sabe o quanto você é uma pessoa do bem, legal e tudo mais. Mas não fazer isso de propósito não quer dizer que você não faça isso. Não quer dizer que você, inconscientemente, não pense dessa maneira. Todos nós pensamos. Porque todos nós fomos criados para pensar assim. Isso é o que significa estrutura social: é algo que, de inúmeras formas, faz parte da vida e da mentalidade de todas as pessoas de uma sociedade. A gente sabe que reconhecer as próprias faces de preconceito dói, mas o preconceito mora nas pequenas atitudes do dia a dia, naquelas coisas que a gente reproduz sem perceber, mas que acabam machucando o outro. São essas que a gente precisa repensar. Porque é nessas pequenas atitudes que pode morar a nossa ruína, ou a nossa transformação positiva do ponto de vista ético e humano. E seja qual for o seu objetivo ético (evoluir espiritualmente, fazer o bem, ser um ser humano melhor), é muito mais fácil atingir ele quando você se permite pensar sobre os preconceitos que foram colocados no seu inconsciente e se permite transformar esses pensamentos e padrões, para ser um ser humano melhor para os seus semelhantes, e principalmente para os seus diferentes.

Já que é pra tombar 🎵🎵🎵
08/07/2017

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02/05/2017

E dá-lhe shimmy!

Receba Donna Mejia pra tornar sua quinta mais linda!
27/04/2017

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Performance of dancer Donna Mejia on the gala show of Tribal Umrah Prague 2014 festival. Vystoupení tanečnice Donna Mejia na gala show festivalu Tribal Umrah...

26/04/2017

Diversidade em todos os campos. Porque nascemos pra tombar!

Representatividade?Importa!
13/04/2017

Representatividade?
Importa!

Chegou a hora de descobrirmos onde a nossa borboletinha pousou na capa estadual.
Representando o Estado da Bahia...(barulho de tambores)
A "dona" da Capa da Edição 39
Seja bem vinda a família Angela Cheirosa!!!
Que sua graciosidade e simpatia ecoe em cada um de nossos leitores.
Agora é com vocês. Capa 1 ou Capa 2 ?
A votação encerra amanhã as 12h00.
Bailarina: Angela Cheirosa
Figurino: Griffe Carriel
Make e Cabelo: Najla Hayek
Fotografia: Adelita Chohfi

12/04/2017

Projeto Novo Tribal
Sororidade, empoderamento e diversidade!

04/04/2017

Tá nascendo!

Adivinha quem vai tombar nos festivais esse ano? :D
15/03/2017

Adivinha quem vai tombar nos festivais esse ano? :D

Endereço

Avenida República Argentina, 334 - Sala 7
Curitiba, PR
80240210

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