30/05/2026
Pressa no trânsito (retrato da vida)
Fim de tarde de sexta-feira. Cansaço, estresse e uma pressa de chegar. Uma agonia que suprime a esperança ao merecido descanso. Uma alegria quase sublime - por poder, finalmente descansar.
O ruído do motor trás paz e calor. O automóvel segue seu rumo – incessante e veloz, muda de faixa, costura e se encaixa, sem perder seu prumo, naquele trânsito feroz.
Mas, de repente, toda paz, alegria e esperança, é por outro veículo interrompida. Ele, repentinamente, estaciona à frente da longa fila, para uma senhorinha poder desembarcar. Milhares de buzinas são ouvidas. Palavrões, impropérios e toda raiva antes contidas, explodem nas ameaças proferidas.
Desviando seus veículos daquele arrogante “bossal”, vários motoristas são possuídos pela resposta emocional, transformando a insignificante parada em ofensa pessoal, isto - antes que a malfadada senhorinha, consiga do carro descer e desdobrar sua complicada sombrinha.
Ultrapassar, então, aquele veículo asqueroso e vil, torna-se intolerante e odiosa obrigação. É a emoção desenfreada, que atinge todos que se obrigaram a “dar uma freada”, a perseguirem aquele que merece uma longa e eterna buzinada. Um grosseiro xingamento – ou um obsceno gesto violento. Verdadeiro descarrego final para vingar a alma de todo e qualquer mal.
No trânsito, cada buzina impaciente, cada ultrapassagem arriscada, cada olhar diferente, revela algo maior: nossa dificuldade em lidar com o tempo e com o espaço – com o stress e o cansaço
Corremos em disparada — competindo sem razão e por nada. Insistimos em não perder, em ganhar poucos minutos. Lutamos por pequenos espaços – por tempos diminutos. Verdadeiros palhaços - intolerantes e argutos. Mas, no fim, Porque agimos como intolerantes indecentes? o que realmente ganhamos? Ansiedade, estresse e, muitas vezes, acidentes?
Talvez o trânsito seja um espelho da competição da vida: Todos apressados, Seres emanados da exigência de perfeição - querendo chegar em primeiro lugar nesta verdadeira e invulgar competição. Uma emoção que nos desafia no início - para não trazer a resposta na saída.
Talvez isso aconteça, porque esquecemos as virtudes necessárias voltadas para o bem, aquelas que nos avaliam e conferem valor, como: a Simplicidade: a Humildade: a Coragem: a Justiça: a resiliência: a paciência, e o amor...