30/06/2026
Raízes: Minha primeira exposição individual
Olhar para as minhas fontes de cultura, família e conhecimento fez nascer o desejo de dar vida a tradições da cidade onde cresci. Transformar um tipo específico de peça em linguagem artística que me remete às memórias de infância, caminhando com meus padrinhos e tios pelas estradas e roças de Cunha. O contato com o universo caipira e seu modo de vida tornou-se minha expressão e transformação da matéria.
*Raízes* ganha força a partir de uma palavra: Cabaça. Não existe um formato correto; mesmo filhas da mesma mãe, elas nascem diferentes — assim como nós. As linhas partem de um início, mas se desconstroem no percurso: adicionando, retirando, invertendo e manipulando a forma. É como a força do ventre, dando vida a algo único.
Como artista, materializar essa exposição não foi fácil. O que parece simples superficialmente carrega uma briga interna para transformar o imaginário em uma força que reflete nossa cultura e trocas, exigindo delicadeza para expor esse modo de ver o mundo.
As obras foram criadas majoritariamente com o barro de Cunha, algumas com argila de São Paulo, e engobes que trazem textura e impacto visual. Todas as peças ganharam vida através do fogo, queimadas em processos de longa duração em fornos a lenha do tipo Anagama — verdadeiros “genitores” que imprimem sua força no resultado final.
Fornos onde as peças ganharam vida:
Bianca Vidal – Meaípe – ES
Ateliê Adel Souki – Brumadinho, MG
Anagama Smokeless – ICCC, Cunha, SP
Nada disso seria possível sem a curadoria de Talita Mesquita - , que me ajudou a idealizar o espaço, a expografia e a tirar o projeto do papel, nem pelo olhar sensível do fotógrafo Rafael Mollica - , a pessoa quem consegue transmitir a cada um, sensibilidade e leveza de inúmeros artistas.
Quem esteve presente no FICC 2026 pôde caminhar entre as peças, tocá-las e sentir suas texturas. Sou imensamente grato a todos que compartilharam e trocaram energia comigo nesse momento.