Um espaço de esperança, talvez, mas, certamente um ponto de encontro multiplicador da cultura mato-grossense. A concepção do espaço quer a dinâmica de atividades entre exposições, lançamentos de livros, recitais, palestras, informações culturais. E, além de abrir portas para um mercado de arte – necessário e urgente numa cidade-polo de atração e de distribuição como Cuiabá – seus organizadores, qu
erem buscar pessoas comprometidas com o momento histórico cuiabano. Sim, este momento, urge uma mobilização otimizadora da sociedade mato-grossense em apostar na autenticidade cultural do meio circundante e circunstante. É hora, pois, de somar esforços para compartilhar desse Bem, onde a cultura se faz tangível nesta Cuiabá de calorosa receptividade. Aliás, Cuiabá é calorosa porque receptiva, ou, receptiva porque calorosa? E ainda mais quente é a sua arte produzida de dentro para fora,
no cerne de um Brasil, via Mato Grosso. Entretanto, o que me faz acreditar nesta proposta é o entusiasmo dos seus organizadores, Zé Guilherme e Goita, colecionadores e estimuladores da produção artística de Mato Grosso. Ao longo de duas décadas de união, o casal reuniu mais de 400 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras e fotografias de mais de 60 artistas brasileiros, nascidos, atuantes, residentes ou não em Mato Grosso. O encontro
José Guilherme Barbosa Ribeiro, carioca,
66 anos, é um daqueles apaixonados pela arte que, aos vinte anos, com o primeiro salário de sua vida, comprou a sua primeira obra de arte, por ele então vista como um troféu. Semanas depois viu a sua “marinha”, que comprara na calçada em frente à Escola Nacional de Belas Artes, ilustrar uma reportagem no caderno de arte do Jornal do Brasil, sobre artistas de rua. Ele acredita em sinais. E viu ali um sinal, a lhe indicar um caminho sensível a percorrer. Inclusive, quando veio para Cuiabá, em 1978, a serviço do Sebrae, então Ceag/MT (Centro de Apoio Gerencial), logo começou a comprar obras dos jovens frequentadores do Ateliê Livre da então Fundação Cultural, instalada no
Palácio da Instrução. Zé Guilherme se casou e se descasou; Glória Alice Ferreira Bertoli, cuiabana, 64 anos, também. Todavia, os sinais estavam a sinalizar o encontro de ambos, no início da incrível década de 1990, cujos anos encerravam um século e anunciavam um milênio. Tempos retrospectivos e de alcances prospectivos. Unidos, um dos pontos marcantes da identidade do casal foi o respeito e o comprometimento com a arte local. E a nossa dinâmica Goita declara: “quando o vejo, meu coração começa a bater forte”. E ainda testemunha: “ele se tornou mais cuiabano do que eu, tanto que nem gosta que se fale mal do calor”. Em Mato Grosso o casal tem se empenhado na defesa dos valores, da cultura e da ecologia do Estado. Não vê o Pantanal dividido por uma linha geopolítica. Ao contrário, quer a soma identificadora da cultura nesse tão formidável ecossistema. Aline Figueiredo