04/09/2025
ENCONTROS E ECOS
Ele, mapa rasgado em cada passo incerto,
Chegava empoeirado, seu destino ao léu.
No ar, uma dança de invisíveis partículas
Trazia a promessa que o tempo esqueceu.
Ela então: olhos de bronze e riso solto,
Mão que lia estrelas, o corpo era canção.
Evas de incenso, em fino rastro,
De alecrim queimando a solidão.
Ele a viu...girou mundo em espiral
No cheiro de erva-doce que o prendia.
Convite antigo, quase um ritual,
Na voz que de mil vidas parecia.
Ela, labirinto de memórias e presságios,
Desvendava segredos sem falar.
Seu hálito q’era alfazema em seus estágios,
Acalentava o errante, o fazia sonhar.
Depois, só o vento e a poeira da estrada.
Mas nele ficou o eco, a miragem, o véu:
A lembrança de um perfume rosa, caliente,
Misturado a um cheiro quase mel.
Edinado Costa,
Centro do Guilherme, MA. 11/07/25.