Pipoco do Trovão

Pipoco do Trovão Perfil artístico de Ricardo de Andrade. Tecnologia Social

Pipoco do Trovão:

O sagrado, a filosofia, a ciência e a arte a gente sintoniza por aqui. Nutrição espiritual: www.medium.com/

Linguagem musical fluxo dos samurais: a electronic music é o único estilo musical compartilhado e sentido da mesma forma em todos locais do mundo.

A Base Libertária🏴🏴(A)🏴🏴Por: Ricardo CoelhoDe fato, há uma tradição que interpreta Jesus como uma figura radicalmente an...
28/08/2025

A Base Libertária
🏴🏴(A)🏴🏴
Por: Ricardo Coelho

De fato, há uma tradição que interpreta Jesus como uma figura radicalmente antiautoritária — não no sentido institucional que o cristianismo organizado depois assumiu, mas como alguém que:
• Desafiou o Império Romano (não se curvando à autoridade de César).
• Confrontou a religião oficial (o templo, os sacerdotes, a hipocrisia dos fariseus).
• Viveu com os marginalizados (prostitutas, pobres, leprosos, camponeses explorados).
• Pregou a partilha (“é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”).
• Rejeitou a lógica da dominação — “quem quiser ser maior, seja o servidor”.

👉 Se pensarmos pela lente anarquista:
• O Reino de Deus que ele anunciava pode ser entendido como uma ordem social outra, sem patrões, sem império, sem hierarquia — baseada em amor, solidariedade e justiça.
• Sua morte pela cruz mostra como o poder não tolera a liberdade radical. Assim como o anarquista que se levanta contra Estado e Capital é perseguido, Jesus foi perseguido e morto porque ameaçava a ordem.

Autores como Tolstói (no O Reino de Deus Está em Vós) já diziam que a verdadeira mensagem de Cristo era anarquista, e que o cristianismo institucional o traiu ao se aliar ao Estado e ao poder. Landauer também via uma espiritualidade comunitária que dialogava com essa ideia de Reino sem poder.

⚡ Então, quando você diz “Jesus foi o anarquista original”, isso ecoa essa tradição:
• Ele não se dobrou a César (o Estado).
• Não se dobrou ao Templo (a religião oficial).
• Só reconheceu o Ser invisível, que você chamou de Deus — não como um tirano, mas como princípio de vida e liberdade.

Se a gente pensar assim, Jesus não foi “um maluco crucificado”, mas um revolucionário da liberdade, cuja mensagem foi cooptada depois pela Igreja para servir ao poder que ele mesmo rejeitou.

Imagem por: Oleksii Gnievyshev, Black Cat [reddit]

Programado por: Ricardo Ribeiro de AndradeLinguagem Educacional         Tema Fundamental: A Restauração do Reino de Davi...
28/08/2025

Programado por: Ricardo Ribeiro de Andrade
Linguagem Educacional

Tema Fundamental: A Restauração do Reino de Davi na Geografia Brasileira [Simbologia Profética]
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O SIGNO DE SIÃO

os olhos do leão estão fixados no trono da glória
a medida da moeda sagrada é a devoção
toda disciplina resulta na força da pretensão

compactei a minha vida para o tamanho de nossa família
e se você nasceu em uma família de caçadores
a sua responsabilidade será a gestão da tribo
reclamar não vai construir um mundo melhor
os muros da eternidade é sustentado pelo sangue dos justos e das justas

aprimorar a visão é exercer o papel de ministro
o ministério é a tua jornada
o discurso apostólico é de reconciliar os perdidos
por isso a tua formosura no tratar com as pessoas
precisa ser a saúde das relações pessoais
o relacionamento é o nosso maior desenvolvimento
o treino da morte
é silencioso
e não se esqueça
que é feminino

Escrito em: 28/11/2023.
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A SINA DE SIÃO

é através do propósito
que posso fortalecer
o divino que me presenteia
com o fulgor da vida

a criatividade se tornou
o princípio que transmuta a vida
o ecossistema que fortalece
todas as riquezas

de onde vem
a voz que sussurra
a vida?

até quando
você irá
menosprezar
a instrução?

valeu
viver todo
esse tempo
cultivando
suas aspirações?

o Eterno Deus
dos Hebreus
nunca te
decepcionará!

o Eterno
removerá
de tua alma
todas
as impurezas

o projeto do sagrado
é uma compilação
de todas as fases
que te traz
para o dia do agora
deposite no Eterno
a tua confiança

como é bom
ser grato
desfrutar
da sabedoria acumulada

se comprometer
com a neutralidade
é esquecer
seu desígnio
de vida

aliás
você já
teve algum
desígnio?

Escrito em: 27/11/2023.
Imagem por: Anna Podedworna [reddit]

Inteligência Musical   ♪  .  .‘MC Lipi - Sem Sinal, Motoloka (Juelz Remix)’ de  está na
14/08/2025

Inteligência Musical ♪
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‘MC Lipi - Sem Sinal, Motoloka (Juelz Remix)’ de está na

🏁🏁🏁

Programado por: Ricardo Filipe RibeiroLinguagem Educacional   Tema Principal: O Anarquismo em Modo EasyDo ponto de vista...
14/08/2025

Programado por: Ricardo Filipe Ribeiro
Linguagem Educacional
Tema Principal: O Anarquismo em Modo Easy

Do ponto de vista anarquista, se as pessoas não se justificam na causa da libertação — ou seja, se não questionam a autoridade, o Estado, o capital e as estruturas de poder — elas acabam reproduzindo a dominação. Isso não é só alienação individual, mas social: famílias, comunidades e instituições podem se tornar verdadeiros instrumentos de perpetuação do poder e da injustiça.

Quanto à percepção de que o mal aumentou, há algumas nuances:
• Historicamente, a visibilidade das injustiças e crimes é muito maior hoje, graças à mídia e à internet, então parece que o mal cresceu, mesmo que algumas formas de solidariedade e resistência também tenham aumentado.
• Mas de fato, estruturas de poder mais complexas e concentradas podem gerar novos tipos de exploração e violência, muitas vezes institucionalizadas, que antes eram menos evidentes.
• Famílias e grupos “bem criminosos” podem ser um reflexo da corrupção e decadência social causada pelo Poder, pelo Estado e pelo capital, que moldam comportamentos egoístas, competitivos e autoritários.

Instrutor: Ricardo Coelho
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A LITERATURA DA PÓS-MODERNIDADE

A música é a linguagem dos espíritos.

Tema: Música
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Crê nos sonhos, pois neles está escondida a porta da eternidade.

Tema: Sonho
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Não se pode chegar à alvorada a não ser pelo caminho da noite.

Tema: Caminhos
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O amor que não exulta constantemente morre pouco a pouco.

Tema: Amor
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A generosidade não está em dar aquilo que tenho a mais, mas em dar aquilo de que vós precisais mais do que eu.

Tema: Generosidade
Citações máximas por:
Khalil Gibran
Líbano
6 Jan 1883 // 10 Abr 1931
Ensaísta/Filósofo/Poeta
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O real e o verdadeiro corresponde a uma minoria que o mundo está determinado a exterminar.

Tema: Mundo
Livro: Correcções
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A ignorância seletiva era uma grande arma de sobrevivência, talvez a melhor.

Tema: Ignorância
Livro: Correcções
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Nada perturba mais o sentimento de ser especial como a presença de outros seres humanos que se sentem igualmente de forma especial.

Tema: Personalidade
Livro: Liberdade
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O que descobrimos sobre nós próprios durante a criação dos nossos filhos não é sempre agradável ou atraente.

Tema: Pais
Livro: Correcções
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A integridade é um valor neutro. As hienas têm integridade, também.

Tema: Valor
Livro: Liberdade
Citações máximas por:
Jonathan Franzen
Estados Unidos
n. 17 Ago 1959
Romancista/Ensaísta

Imagem por: Jack Vettriano (1992)' [reddit]

Casa do Hip Hop - Sol Zulu 🦎Curadoria   ♪Made in Moscow, Russian Federation 🌅  .  .‘Momo Nas - African Soul - [Lekke Rec...
14/08/2025

Casa do Hip Hop - Sol Zulu 🦎
Curadoria ♪
Made in Moscow, Russian Federation 🌅
. .

‘Momo Nas - African Soul - [Lekke Records LEK1302]’ de DJ Momo Nas está na

Momo Involved in the Music scene for more than Twenty years, just started his career as DJing, dedicating Himself to transform all the tracks he has played in. He has shared his sets with several reno

A BASE LIBERTÁRIA🏴🏴(A)🏴🏴Por: Ricardo CoelhoA captura das pautas identitárias pelo Estado e pela burguesia: uma crítica a...
14/08/2025

A BASE LIBERTÁRIA
🏴🏴(A)🏴🏴
Por: Ricardo Coelho

A captura das pautas identitárias pelo Estado e pela burguesia: uma crítica anarquista à domesticação da resistência



Resumo

Este trabalho analisa, sob uma perspectiva anarquista, como pautas identitárias — originalmente surgidas como expressões legítimas de resistência às opressões — são sequestradas e esvaziadas quando legitimadas pelo Estado e pela burguesia. Partindo da crítica ao poder elaborada por autores como Proudhon, Bakunin, Kropotkin, Emma Goldman e contemporâneos como Uri Gordon e Noam Chomsky, demonstra-se que a institucionalização dessas pautas não representa avanço emancipatório, mas sim uma forma de controle social, fragmentação das lutas e reprodução da ordem capitalista. A partir dessa análise, conclui-se que a libertação plena só pode ocorrer por meio da auto-organização popular e da luta contra todas as estruturas de dominação, não pela integração parcial ao sistema.

Palavras-chave:

Anarquismo, Identidade, Estado, Capital, Poder, Cooptação.



1. Introdução

As lutas identitárias — contra o racismo, machismo, LGBTfobia, xenofobia e outras formas de opressão — emergiram como respostas diretas à violência sistêmica e à exclusão social. No entanto, ao longo das últimas décadas, observa-se que o Estado e a burguesia passaram a incorporar e “legitimar” determinadas demandas desses movimentos, conferindo-lhes reconhecimento formal, mas destituindo-os de sua radicalidade transformadora.

Do ponto de vista anarquista, essa legitimação é um processo de domesticação política: as pautas deixam de questionar as estruturas fundamentais do poder e passam a funcionar como engrenagens do próprio sistema que pretendiam combater. Como afirmava Bakunin (1871), “tudo que o Estado toca, o corrompe”.

Este trabalho tem como objetivo demonstrar como se dá a captura estatal e capitalista das pautas identitárias, explicando os mecanismos de cooptação, mercantilização e fragmentação, e defendendo que a emancipação só pode ocorrer fora da lógica de poder e de mercado.



2. Desenvolvimento

2.1 Origem autônoma das lutas identitárias

O anarquismo reconhece que toda opressão específica — seja de gênero, raça ou sexualidade — tem raízes materiais e históricas. Tais lutas nascem de experiências coletivas de exploração e violência, frequentemente organizadas de forma horizontal e autônoma, como nos coletivos negros, feministas e q***r do século XIX e início do XX. Emma Goldman, por exemplo, defendia a libertação da mulher como parte inseparável da luta contra o capitalismo e o Estado, alertando contra o feminismo burguês que buscava apenas a igualdade formal dentro do sistema.

2.2 O momento da captura: legitimação estatal

Quando o Estado passa a reconhecer oficialmente uma pauta, ele já a submeteu a um processo seletivo. Apenas demandas compatíveis com a ordem são aceitas, enquanto reivindicações radicais — como o fim das prisões, a abolição da propriedade privada ou a destruição das fronteiras — são descartadas.
Proudhon já alertava que a lei é sempre expressão dos interesses dominantes, e que qualquer “conquista” dentro de seu marco é necessariamente limitada. A legitimação estatal transforma a luta de resistência em instrumento de governabilidade, convertendo movimentos sociais em parceiros institucionais.

2.3 A mercantilização burguesa

Após a chancela estatal, a burguesia transforma a pauta em mercadoria. Empresas adotam símbolos de resistência (bandeiras, slogans, imagens) como estratégia de marketing, esvaziando-os de conteúdo subversivo. Michael Löwy observa que essa “neutralização simbólica” permite ao capital lucrar com a estética da rebeldia, enquanto mantém intacta a estrutura de exploração.

2.4 Fragmentação e divisão da luta

Outro efeito da captura é a fragmentação: o sistema estimula que cada identidade lute de forma isolada, sem articular suas demandas com uma crítica global ao capitalismo e ao Estado. Bakunin advertia que a emancipação parcial, desconectada da luta contra todas as formas de dominação, tende a reforçar as hierarquias existentes, criando “castas privilegiadas” dentro dos próprios movimentos.

2.5 A cortina de fumaça democrática

Ao institucionalizar pautas identitárias, o Estado cria a ilusão de mudança social profunda. Reformas pontuais são apresentadas como “provas” de progresso, enquanto as bases materiais das opressões — exploração econômica, concentração de poder, militarismo — permanecem intactas. Noam Chomsky chama esse processo de “fabricação do consenso”, onde a opinião pública é moldada para acreditar que o sistema é capaz de corrigir suas próprias injustiças.



3. Conclusão

A crítica anarquista à captura das pautas identitárias não nega a importância de combater opressões específicas, mas denuncia que, ao serem legitimadas pelo Estado e incorporadas pelo capital, tais lutas perdem seu potencial transformador e passam a funcionar como engrenagens da ordem.

A emancipação real exige a recusa da tutela estatal e da mercantilização burguesa, resgatando a auto-organização e a solidariedade entre as lutas. É preciso articular a resistência identitária à luta anticapitalista e antiautoritária, sob pena de transformar a revolta em decoração para o próprio sistema que oprime.

Como dizia Emma Goldman, “nenhuma revolução social pode ter êxito sem a liberdade; e nenhuma liberdade é possível sob o Estado”.



Bibliografia crítica

• BAKUNIN, Mikhail. O Estado e a Anarquia. São Paulo: Imaginário, 2003.
• CHOMSKY, Noam. Mídia: Propaganda Política e Manipulação. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997.
• GOLDMAN, Emma. Anarchism and Other Essays. New York: Mother Earth Publishing, 1910.
• GORDON, Uri. Anarchy Alive! Anti-Authoritarian Politics from Practice to Theory. London: Pluto Press, 2008.
• LÖWY, Michael. A Estrela da Manhã. São Paulo: Boitempo, 2018.
• MALATESTA, Errico. Entre Camponeses. São Paulo: Imaginário, 2009.
• PROUDHON, Pierre-Joseph. O que é a Propriedade? São Paulo: Martins Fontes, 2001.
• PROUDHON, Pierre-Joseph. Do Princípio Federativo. São Paulo: Imaginário, 2001.
• KROPOTKIN, Piotr. A Conquista do Pão. São Paulo: Imaginário, 2005.

A BASE LIBERTÁRIA🏴🏴(A)🏴🏴Por: Ricardo CoelhoA imagem mostra a primeira página de uma das “Três Conferências feitas aos op...
14/08/2025

A BASE LIBERTÁRIA
🏴🏴(A)🏴🏴
Por: Ricardo Coelho

A imagem mostra a primeira página de uma das “Três Conferências feitas aos operários do vale de Saint-Imier”, proferidas em maio de 1871 — um marco no pensamento anarquista do século XIX.

Abaixo, transcrevo o trecho visível da imagem:



TRÊS CONFERÊNCIAS FEITAS AOS OPERÁRIOS do vale de Saint-Imier, maio de 1871

I
Companheiros, desde a grande Revolução de 1789-1793, nenhum dos eventos que a sucederam, na Europa, teve a importância e a grandeza daqueles que acontecem diante de nossos olhos, e dos quais Paris é hoje o teatro.

Dois fatos históricos, duas revoluções memoráveis haviam constituído o que denominamos mundo moderno, o mundo da civilização burguesa. Uma, conhecida sob o nome de Reforma, no começo do século XVI, havia destruído a pedra angular do edifício feudal, a onipotência da Igreja; ao destruir essa força, ela preparou a ruína do poder independente e quase absoluto dos senhores feudais, que, abençoados e protegidos pela Igreja, como os reis, e frequentemente mesmo contra os reis, faziam proceder seus direitos diretamente da graça divina; e por isso mesmo ela proporcionou um novo desenvolvimento à emancipação da classe burguesa, lentamente preparada, por sua vez, durante os dois séculos que haviam precedido essa revolução religiosa, pelo desenvolvimento sucessivo das liberdades comunais, e pelo desenvolvimento do comércio e da indústria que…



Esse texto é um excelente ponto de partida para uma análise crítica libertária, pois ele mostra como o autor (Bakunin, considerando o contexto e o local) enxerga a Reforma Protestante e a Revolução Francesa como marcos históricos que permitiram a ascensão da classe burguesa, desmantelando o poder eclesiástico e feudal. Contudo, não com o fim da dominação, mas com sua substituição por uma nova forma: a dominação burguesa, capitalista, moderna — crítica central do pensamento anarquista.



A CIVILIZAÇÃO BURGUESA E A DOMINAÇÃO MODERNA: UMA LEITURA ANARQUISTA DAS TRÊS CONFERÊNCIAS DE SAINT-IMIER



Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar a crítica anarquista à civilização burguesa e à modernidade capitalista, a partir da obra Três Conferências feitas aos operários do vale de Saint-Imier (1871), de Mikhail Bakunin. Através de uma abordagem histórico-política, examinamos como a Reforma protestante e a Revolução Francesa não significaram o fim da dominação, mas a transição do poder teocrático-feudal para a dominação burguesa. Esta nova ordem conservou os fundamentos de opressão por meio do Estado, da propriedade privada e da exploração do trabalho. Baseando-nos em autores anarquistas clássicos e contemporâneos, buscamos mostrar que o discurso da civilização moderna esconde a violência estrutural do capitalismo e legitima a desigualdade através do mito do progresso. O estudo propõe uma leitura crítica e libertária da história moderna, desmascarando as ilusões da democracia burguesa e do desenvolvimento capitalista.

Palavras-chave: Bakunin, anarquismo, burguesia, Reforma, Revolução Francesa, dominação, modernidade, Estado.



1. Introdução

A história da modernidade europeia é frequentemente celebrada como um avanço da liberdade e da razão. A Reforma Protestante e a Revolução Francesa são vistas como marcos civilizatórios que romperam com o obscurantismo feudal e inauguraram o mundo moderno. No entanto, para os pensadores anarquistas do século XIX, especialmente Mikhail Bakunin, essa narrativa esconde uma profunda contradição: a liberdade proclamada pela burguesia resultou numa nova forma de dominação.

Nas Três Conferências feitas aos operários do vale de Saint-Imier, Bakunin realiza uma crítica contundente ao modo como a civilização burguesa se constituiu sobre as ruínas da Igreja e da nobreza, instaurando um novo regime de poder baseado na propriedade privada, na exploração do trabalho e na centralização estatal. Este trabalho busca retomar essa crítica como ponto de partida para problematizar a genealogia da modernidade capitalista sob uma perspectiva libertária, denunciando seus mecanismos de alienação e opressão.



2. A Reforma e a Ruína da Teocracia Feudal

Bakunin inicia sua análise histórica reconhecendo dois grandes acontecimentos que marcaram a transição para a modernidade: a Reforma religiosa do século XVI e a Revolução Francesa no final do século XVIII. A Reforma, ao destruir a “onipotência da Igreja”, minou o fundamento espiritual do poder feudal. Os senhores feudais, legitimados pela “graça divina”, viram-se gradualmente desprovidos de sua autoridade.

Contudo, o que emergiu desse colapso não foi a emancipação popular, mas sim o fortalecimento de uma nova classe social: a burguesia. Ao promover a separação entre fé e política, a Reforma abriu espaço para a ascensão de um poder secular e econômico, centrado no comércio, na indústria e na propriedade privada. O individualismo protestante, exaltado por autores como Max Weber (1905), não libertou os trabalhadores, mas os inseriu na lógica disciplinar do capital.

Segundo Bakunin, a burguesia utilizou as liberdades comunais e o desenvolvimento econômico como trampolim para sua própria emancipação, ao mesmo tempo em que subordinava as massas ao novo regime de exploração.



3. A Revolução Francesa e a Consolidação da Dominação Burguesa

O segundo evento analisado é a Revolução Francesa. Para a historiografia liberal, ela simboliza a vitória da liberdade e da igualdade. No entanto, sob a lente anarquista, esse evento não passou de uma troca de senhores. O feudalismo foi abolido, mas no lugar dos nobres e dos clérigos, instaurou-se o domínio da burguesia, amparado por um Estado centralizado e militarizado.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão excluía os trabalhadores, as mulheres e os povos colonizados. A “igualdade perante a lei” mascarava a desigualdade real de condições materiais. A propriedade privada tornou-se um direito sagrado, consolidando a exclusão e a miséria das massas.

Bakunin denuncia o caráter mistificador da revolução burguesa: “A burguesia proclamou a liberdade apenas para si mesma”, enquanto mantinha o povo na servidão assalariada. A centralização estatal, em vez de garantir a autonomia dos indivíduos, reforçou a alienação do povo através da burocracia, da polícia e do exército.



4. A Civilização Burguesa como Nova Forma de Escravidão

A civilização moderna, tal como constituída após essas revoluções, é analisada por Bakunin como uma nova forma de escravidão. A dominação religiosa foi substituída pela idolatria do capital. A liberdade formal serviu como fachada para a exploração real. O Estado burguês, longe de ser neutro, é o instrumento da classe dominante para preservar seus privilégios.

A industrialização, longe de emancipar os trabalhadores, intensificou sua submissão. As novas formas de produção exigiam disciplina, obediência, produtividade — valores herdados do velho ascetismo cristão, agora aplicados à lógica do mercado. A alienação do trabalho se tornou a marca da sociedade moderna.

Essa crítica foi aprofundada por outros pensadores anarquistas. Emma Goldman (1910) denunciava a moral burguesa como instrumento de controle social. Kropotkin (1902) apontava que a cooperação, não a competição, era a base da vida social. Ivan Illich (1971) revelava como as instituições modernas reproduziam a desigualdade sob o disfarce da eficiência.



5. A Alternativa Anarquista: Autogestão, Mutualismo e Revolução Social

Contra essa ordem opressora, os anarquistas propõem a destruição do Estado, a abolição da propriedade privada e a autogestão social baseada na livre associação. A verdadeira revolução não consiste em substituir um governo por outro, mas em abolir o próprio princípio da autoridade.

Bakunin defende a organização de baixo para cima, através de federações de trabalhadores, comunas livres e cooperativas autônomas. A liberdade só pode existir quando nenhum homem tem poder sobre outro, e a sociedade é regida pela solidariedade e pela responsabilidade coletiva.

A crítica à civilização burguesa, portanto, não é apenas destrutiva — é também construtiva. Ela aponta para uma nova forma de vida baseada na igualdade real, na ajuda mútua, na descentralização e na ação direta.



Conclusão

A partir das conferências de Saint-Imier, torna-se evidente que a modernidade, longe de representar um avanço emancipatório, consolidou uma nova forma de dominação — burguesa, capitalista e estatal. A crítica anarquista de Bakunin revela que a liberdade proclamada pela civilização moderna é ilusória, pois está enraizada na exploração e na desigualdade.

Este trabalho propôs uma leitura histórica e crítica do surgimento da civilização burguesa, desmistificando os discursos de progresso e racionalidade que legitimam o poder moderno. Em contraponto, reafirmamos a necessidade de uma transformação radical da sociedade — não pela via das reformas institucionais, mas pela revolução social anarquista, construída pela base, pela solidariedade e pela autogestão.



Referências Bibliográficas

• BAKUNIN, Mikhail. Três Conferências feitas aos operários do vale de Saint-Imier. 1871.
• GOLDMAN, Emma. Anarchism and Other Essays. New York: Mother Earth, 1910.
• KROPOTKIN, Piotr. Mutual Aid: A Factor of Evolution. London: Heinemann, 1902.
• ILLOUZ, Eva. Cold Intimacies: The Making of Emotional Capitalism. Polity Press, 2007.
• ILITCH, Ivan. Sociedade sem escolas. Petrópolis: Vozes, 1971.
• PROUDHON, Pierre-Joseph. O que é a propriedade?. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
• CHOMSKY, Noam. Sobre o Anarquismo. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
• GORDON, Uri. Anarchy Alive! Anti-Authoritarian Politics from Practice to Theory. London: Pluto Press, 2008.
• LÖWY, Michael. A teoria da revolução no jovem Marx. São Paulo: Cortez, 1991.
• WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

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13/08/2025

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Mexico City
Ceilândia, DF

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