04/09/2013
“Folclore não é breguice, não é ignorância ou cafonismo. É a cultura popular, nascida do sentimento e da vivência de um povo”. Dona Paulina, nome importante da cultura carmopolitana faz uma crítica aos costumes e valores da nossa terra, falando de festas tradicionais, mantidas ha tempos na nossa cidade.
O belo texto de D. Paulina foi publicado no jornal “Carmópolis Ação” de 1991.
A série "Nossa memória" do Carmopolitando resgata textos de jornais antigos, para proporcionar aos carmopolitanos uma nova forma de viver a cidade! Então, carmopolitem à vontade!
Bom dia!
Folclore: Congado e Folia de Reis
Oi! Vamo Rainha Senhoraaa
Oi! Vamo Rainha Senhoraaa
Apronta e vamo simbora
Apronta e vamo simbora
Isto é congado. Você sabia que o nosso congado num concurso realizado no Rio de Janeiro, o “terno” do Geraldo Joaquim ficou em 2º lugar da categoria “Catopês”? Aposto que não sabia. Segundo a lenda o congado teve origem na região da Africa. Nossa Senhora ali aparecera numa aldeia de negros. Fizeram uma capela para colocá-la, mas a santa somente saiu com os Moçambiqueiros; daí sua importância vindo sempre a frente dos Reis Brancos. Estes eram pessoas ricas que patrocinavam a festa, inclusive dando alimentação para os dançadores durante os oito dias de festa. Eles dançavam e tocavam o dia todo. Há também os Reis Congos ou perpétuos, estes devem ser negros.
O Reinado (como é chamado aqui) já teve os seus dias de glória quando era uma festa religiosa realizada na Igreja do Rosário situada na praça do mesmo nome. A imagem da Senhora do Rosário muito valiosa, em madeira, feita no estilo barroco foi vendida.
Quando a festa se desligou da igreja entrou em decadência e nunca mais alcançou a pampa dos velhos tempos.
A Folia de Reis aqui em Carmópolis sempre existiu, porém bem simples; sempre comandada pelo Vicentão. Nos últimos anos ela tem se desenvolvido. Dizem que a Folia de Reis representa o povo que acompanhou os Reis Magos, na sua visita ao menino Deus; por onde passavam pediam ajuda, e cantavam agradecendo. Sua música é de doce monotonia e a sanfona é o instrumento principal. O palhaço representa Herodes, e nunca pode f**ar a frente da Folia, e nem ter o rosto descoberto.
É apresentada no tempo do natal.
A palavra folclore vem do inglês arcaico e abrange as lendas, músicas, danças, superstições, etc.
“Varrer os pés de uma moça solteira, ela não mais se casará.” “Quem mata um gato tem sete anos de atraso na vida”. “Cachorro uivando à noite é sinal de morte”. “Um galho de arruda nos livra do azar”.
Folclore não é breguice, não é ignorância ou cafonismo. É a cultura popular, nascida do sentimento e da vivência de um povo.
Hoje mais que nunca estamos voltados para este lado.
Um grupo de católicos (devido ao grande êxodo de fiéis para outras religiões) está tentando voltar às coisas que tornaram a religião mais aconchegante. Muita música, muito canto, muita participação, muita palavra amiga. As Bênçãos, o Tatum Ergo, a Custódia com a Hóstia consagrada. As mãos do sacerdote a abençoando irradiam uma energia positiva.
Vamos cantar o “Bendito Louvado seja”, o “Queremos Deus” e quem sabe seremos mais Gente e menos fera.
D. Paulina. 1991