18/06/2025
Aquela floresta nunca havia parecido um lar. Ela treinara ao redor daquelas mesmas árvores por anos, seu próprio sangue havia sido derramado ali, mas nunca sentira qualquer tipo de apego por ela.
Até agora.
Ela se inclinou e tirou os sapatos. Deu um passo à frente. No momento em que seu pé descalço tocou o chão, um choque percorreu-o, subindo por sua perna, sua coluna, até o topo da cabeça e em direção ao céu.
Ele tinha falado sobre estabelecer um vínculo com sua fonte de poder. Uma confiança. Uma ligação foi feita ali. A floresta a reconhecia.
Não havia vento, mas as árvores sussurravam em saudação. Ela deu outro passo e a terra tremeu ao redor de seus dedos dos pés, como se o poder a cercasse. Todos os pensamentos esvaíram-se de sua mente.
Ela colocou a mão na árvore mais próxima e musgo escorreu de seus dedos, ondulando até o chão da floresta coberto de grama. A grama cresceu a uma altura selvagem, alcançando um galho de onde brotaram glicínias roxas e brilhantes. As flores se enrolaram no galho em cachos, como pulseiras, até a ponta, na qual uma noz cresceu, pendendo como um brinco. Ela se tornou tão grande que caiu bem na palma de sua mão.
Era aquilo que signif**ava ser Selvagem.
Ela começou a correr. O mundo abriu passagem. As árvores moveram seus galhos, cipós no chão recuaram de volta para suas raízes, animais esperaram. Um grupo de pássaros seguiu seu caminho, seus cantos soando como encorajamento. Flores brotavam assim que seus pés deixavam o solo, preenchendo suas pegadas. Um tapete de calêndulas e rosas florescia em seu rastro.
Ela saltou no ar, a mão esticada, e uma videira subiu para encontrá-la. Ela se balançou, girando pela floresta, pousando em uma árvore. Não parou, continuou correndo, e uma ponte de galhos se formou diante dela, atravessando o topo da floresta em uma trilha.
Era um fluxo, um estado elevado, uma consciência diferente. Ela provava a floresta na ponta da língua: musgo e orvalho e pinho. Um calor percorreu seus ossos, como se partes de si que estavam adormecidas estivessem agora despertando, uma flor em seu peito finalmente desabrochando sob o sol. A floresta se desenrolava com sua proximidade.
A floresta estava viva,