De lá para cá muita coisa já rolou, como eventos das mais diversas manifestações artísticas, políticas e culturais. O que moveu a criação desse lugar foi trazer para a cidade de Campo Bom um lugar que valorizasse a cultura alternativa e projetos, pessoas e organizações independentes, mostrando para a população essa diversidade cultural. O local é totalmente destinado para a minoria, para a parcela
da sociedade que não tem espaço nos meios convencionais. Independente de recursos municipal e estadual, o que impulsiona o Centro Cultural é o espírito colaborativo: ele não possui fins lucrativos. Eventos musicais e debates dos mais variados temas fizeram ao longo dessa década um grande cenário cultural nesta pequena cidade, algo valioso para a região, que contou inclusive com artistas vindos de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Santa Catarina, Paraná, Uruguai, Argentina e de todas as regiões do Estado. E para fazer parte disso, é só ter vontade: “seja independente, seja diferente, faça do seu jeito!”. Quem foi Marcelo Breunig
O nome do Centro Cultural não surgiu por acaso, trata-se de uma homenagem ao líder estudantil Marcelo Breunig, ou simplesmente Jack, como era conhecido. Aos 19 anos, Jack foi assassinado, no dia 13 de maio de 2001. Escritor e poeta, seu sonho juntamente com outros jovens ativistas, era fundar na cidade um espaço sem preconceitos, que abrigasse todas as culturas e ideais. Os culpados não foram encontrados e o assassinato de Jack, que acredita-se ter ocorrido por motivação política, acabou sendo arquivado por falta de provas. O que ninguém poderia imaginar é que o assassinato de Marcelo fez com que a indignação crescesse ainda mais, motivando a criação deste espaço de justiça e assim, transformando o sonho em realidade. No dia 24 de maio de 2003 o Centro Cultural Marcelo Breunig foi fundado e a filosofia cultural defendida por Marcelo é exercida até hoje: “debates, leituras, exposições, shows de bandas, saraus, participação de todas as pessoas independentes de classe social, condição sexual, credo, posição política”. Atualmente o CCMB abriga os seguintes projetos:
Garagem Aberta – Ocorrendo quinzenalmente, o CCMB abre as suas portas para bandas independentes, sendo elas da região e também de fora. O projeto promove o trabalho de bandas autorais, dos mais variados estilos, dando espaço para tocar e mantendo um cenário underground na região que é conhecido na cena independente do Estado todo. Com entrada a preços acessíveis, o valor arrecadado é revertido para o funcionamento da casa e também dividido entre as bandas. Noite na Taverna – O projeto que leva o nome da obra do poeta Álvares de Azevedo (1855) trata-se de um sarau literário. Aberto para a comunidade, o projeto busca também mostrar textos de escritores locais e de obras contraculturais. Cine Debate – É a exibição de filmes e documentários, muitas vezes de produção independente, que abordam questões sociais e históricas, visando promover uma discussão sobre a obra com a troca de ideias e interpretações. Bombardeio Revolucionário Alternativo Cultural (Breac) – A iniciativa trabalha com os elementos do Hip Hop: MC, DJ, Bboy, expressão e movimento do corpo, Grafite e o ativismo da cultura na política e nas desigualdades sociais. Exposição de Artes – O CCMB também está aberto para artistas visuais. Pintores e artistas plásticos que não conseguem lugar para expor suas obras podem sempre contar com o espaço. Brechó do Desapego - Partindo da ideia de que podemos fazer nossa parte para diminuir o consumismo que nos toma no dia a dia, o Brechó do Desapego surge com a proposta de fazer girar peças de roupas, acessórios, sapatos e até móveis que as pessoas querem desapegar, colocando a disposição por um preço simbólico para quem precisa. Os valores arrecadados são revertidos diretamente para o pagamento das contas do Centro Cultural. Vale lembrar que a cada brechó também é doado grande parte das roupas para pessoas em situação de rua ou que tiveram perda (temporais/enchentes). A democratização do lugar também pode ser vista na sua cedência para encontros da União dos Estudantes de Campo Bom (UECB), União de Bairros e Vilas (UABV) de Campo Bom, Unegro, LGBT, grupo de mulheres, ambientalistas e frente comunitária. Nós sempre estaremos abertos para aqueles que não estão satisfeitos com sua condição ou com as imposições da sociedade.