27/05/2026
O aplauso ao cair do pano talvez seja o instante mais mal compreendido do teatro. Acham que ali a peça termina, mas é exatamente ali que ela começa. Até aquele momento, tudo ainda estava protegido: a luz, a ficção, o silêncio da plateia, o ator escondido dentro da personagem. Mas quando as mãos se encontram em som, algo se quebra. O aplauso não é só agradecimento. É o corpo tentando voltar ao mundo depois de ter estado em outro lugar por alguns minutos. O teatro verdadeiro começa depois: no caminho de volta para casa, numa frase que insiste em permanecer, numa lembrança que retorna sem aviso, numa sensação que a pessoa talvez nem saiba nomear. O pano cai, mas alguma coisa continua acesa dentro de quem assistiu.