29/12/2025
Vai dormir, deixa-me só.
Abandona esta ruína, este ser insone e aflito.
Deixa-me contorcer nesta onda sombria até o nascer do sol.
Se quiseres, apieda-te de mim e f**a; se não suportares, sê cruel e vai embora.
Foge de mim para não cair na tristeza; segue a via segura, desvia do sofrimento.
Só, encolhido num canto, perco-me na dor; com minhas lágrimas, ergo moinhos de cem lagares.
Sei de um assassino de coração de pedra, que mata sem que lhe perguntem:
“Pensaste no preço do sangue?”
Para o rei de todas as grandezas só a fidelidade conta.
Enche-te pois de paciência, tu, namorado das faces róseas, sê fiel.
Certos males não se curam senão com a morte.
Se é assim, como pedir-te:
“Cura-me deste mal”?
Madrugada, em sonho,
vi o mestre percorrer o jardim do amor.
Com um aceno, disse-me:
“E tu? Quando hás de seguir-nos?”
Se houver um dragão no caminho, usa o amor como esmeralda que o verde brilho nos salvará do monstro.
Basta, que já me perco.
Se és deveras um homem de saber esquece os relatos vulgares e recita uma história edif**ante.
Rumi - Poemas Místicos
Dia 5 - Amor reconhecimento do outro