31/12/2021
Contagiada pela atmosfera dessa época do ano, me peguei pensando sobre o novo.
De uma maneira geral, a gente associa tudo que é novo à coisa boa: o carro zero, o celular recém lançado, a casa inaugurada novinha em folha... Objetos de desejo da humanidade, guiada pela supervalorização da novidade, que despreza o que é velho, sejam coisas, situações, lugares e, infelizmente, até, pessoas.
Muitos de nós, acabamos ficando viciados no novo, numa busca apressada e incessante até o próximo lançamento.
Mas se prestar bem atenção, vemos que o sapato novo é que costuma fazer calo, a roupa nova é que precisa de ajuste pra ficar confortável, não é mesmo?
O inusitado pode demandar doses extras de adaptação, resiliência e ressignificação... e nem sempre esse é um processo indolor.
O lado bom desse protagonismo do novo é a esperança e o entusiasmo que surgem do nosso encontro com tudo que é novidade.
Pra mergulhar de cabeça no novo, a gente não precisa abrir mão do velho, porque é nele que foram construídas nossas conquistas e desenvolvidas nossas habilidades...não acha!?
E mesmo que o mundo nos inunde de novidades a cada segundo, a renovação só chega de verdade quando a gente se faz novo. E, vestidos com a coragem dos aprendizados e experiências vividas, não temos medo de recomeçar a qualquer momento, independente das circunstâncias.
Então, sobre desejos de ano novo, o que quero mesmo é que a gente consiga dar valor aos velhos: sabores, saberes e sábios. Mas que saiba desapegar do que não faz sentido, sem medo de mudar; e que sempre estejamos prontos para recomeçar.
Feliz você novo sempre e todo dia!