20/01/2026
Nas brumas do tempo, entre o real e o encantado, nasceu um menino chamado William, no vilarejo de Stratford-upon-Avon, Inglaterra. Desde pequeno, ele via o mundo como um palco — onde o sol era ator, a lua soprava versos e os ventos traziam histórias escondidas em suas asas.
Mas eis que, numa noite de tempestade mágica, o jovem William é tragado por um redemoinho de palavras e sonhos. Guiado por um cordel encantado, ele acorda... no coração do Nordeste brasileiro, numa terra quente e vibrante chamada Pernambuco.
Em sonho, vagou por feiras e folguedos, de Limoeiro a Triunfo, onde aprendeu a escutar emboladas como se fossem monólogos, viu maracatus como tragédias dançadas, e chorou de emoção ao ver Pucks, crianças sonhadoras do sertão, contando sonhos de uma noite de verão. O Cordel o alerta: “Menino, aqui tu vais escrever o que nunca foi dito — com pena de cana e tinta de mandacaru.”
Viajando se fez andarilho da palavra. Em Olinda, assistiu um corso carnavalesco com frevos e fantasmas, e viu em uma baiana o rosto faceiro de Macbeth. No Recife Antigo, curioso, se encantou pelos becos e seguiu um Hamlet cabra da peste, preso entre vingança e justiça.
Pega novamente o trem da imaginação e agora se vê em Caruaru. Lá, assiste Romeu e Julieta, separados por uma disputa acirrada entre quadrilhas juninas, os Capuletos do Forró e os Montecchios do Sertão, em uma festa de São João.
Na cidade de Arcoverde, conhece dois repentistas apaixonados pela mesma mulher, e o duelo é feito de versos, onde um tal Henrique V sai vitorioso.
Outro amor que presencia é o de Otelo e Desdêmona separados em cidades diferentes, Petrolina e Juazeiro e o Iago é o próprio São Francisco que os separa.
Mas algo ainda lhe faltava: um lar, um chão onde plantar sua própria história. Foi então que, após vagar por muitos lugares, o menino chegou à cidade de Camaragibe.
Encantado por Camaragibe, decidiu acompanhar aquele local em sonho. Assiste a fundação do Teatro Bianor ao lado de seu fundador, um menino vindo de Nazaré da Mata, que sonhou entre tecidos da fábrica que trabalhava com o mundo teatral, mesclando cordel e soneto, tragédia e forró, Puck e Papangus.