08/03/2022
Carolina Maria de Jesus, mineira, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como empregada e catadora de papel para sustendar sua família, que criava sozinha. Carolina escrevia sobre seu dia a dia na favela do Canindé, Zona Norte de São Paulo, em 1958, conheceu o jornalista Audálio Dantas, que a auxiliou na publicação de seus diários.
Seu primeiro livro, Quarto de Despejo, publicado em 1960, vendeu dez mil cópias, em quatro dias, e 100 mil cópias, em um ano. Esse livro relata suas vivências na favela, sobre como sobrevivia à fome com seus filhos.
Com uma imagem determinada e uma força nítida, Carolina tornou-se uma referência de mulher negra brasileira. Sua imagem vem formando-se como um ícone de força por sua história, origem e percurso.
Hoje apresentamos a série Casa de Alvenaria, vol I e vol II, onde os leitores contemporâneos têm a chance de conhecer a vida de Carolina no pós Quarto de Despejo. O olhar arguto da escritora, já vivenciado pelos leitores no primeiro diário, continua em Casa de alvenaria. Desta vez, sua palavra, lança potente, vai de encontro à da elite, dos moradores da sala de visita. Carolina continua perspicaz na sua visão de mundo. Faz reflexões sobre os políticos da época, percebe a hipocrisia de muitos que se aproximam dela, o racismo velado e também as falsas amizades conquistadas após a fama.