26/01/2019
AMAMOS DONA DULCINA!!!
Kelly e Nena dão o recado: A peça 'Acabou o Pó' está 'hospedada' na casa de uma das maiores estrelas do teatro nacional. Só para lembrar mais uma vez: estamos em cartaz no Teatro Dulcina, aos domingos e segundas, às 19h. E corre porque a temporada está terminando, talquei?
Mas voltando para a história desse equipamento cultural do centro histórico do Rio e da baphônica-iluminada-borbulhante e tudo de maravilhosa Dulcina de Moraes, queremos que vocês entendam a dimensão dessa artista. Leiam este textinho - relativamente longo, mas história bonita precisa de mais do q 280 caracteres, né gente?
"Nascida em 3 de fevereiro de 1908, na cidade de Valença (RJ), no Vale do Paraíba, Dulcina de Moraes conviveu com o teatro desde a infância, tendo como primeiros professores seus pais, Conchita e Átila de Moraes, ambos atores. Fez sua estreia oficial aos 15 anos e logo criou um estilo próprio de interpretação, marcado pela elegância, a valorização do texto e a agilidade no tempo de comédia. Estrela de sucessos como a peça Chuva (de Somerset Maugham), foi no comando da Companhia Dulcina-Odilon (com o marido, o ator Odilon Azevedo) que trouxe mudanças decisivas para o teatro. Entre elas, estão a regularização da profissão de ator, a abolição do ponto e a instituição de folga às segundas-feiras para os profissionais de teatro.
Outra contribuição fundamental de Dulcina para as artes cênicas no Brasil se deu em 1955, quando criou a Fundação Brasileira de Teatro (FBT), instituição pioneira na formação de atores e profissionais teatrais no país. Em 1972, mudou-se para Brasília, para onde transferiu a FBT, que seria o embrião da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, fundada em 1982 e até hoje atuante em Brasília, onde Dulcina faleceu, aos 88 anos, em 28 de agosto de 1996.
Reverenciada por grandes atrizes como Bibi Ferreira, Nathália Timberg e Fernanda Montenegro (que a considera a maior personalidade do teatro brasileiro no século 20), Dulcina de Moraes construiu grande parte de sua história no teatro que leva seu nome, na Rua Alcindo Guanabara, nº 17, no Centro do Rio. Fundado em 5 de dezembro de 1935 (com o nome de Teatro Regina), foi lá que a atriz criou a Companhia Dulcina-Odilon, estrelou inúmeras peças e estabeleceu a FBT, cujas aulas eram dadas nas dependências do Teatro Dulcina.
Nas décadas seguintes, o espaço abrigou temporadas emblemáticas de companhias como a Teatro Cacilda Becker, Tonia-Celi-Autran e, já nos anos 80, Asdrúbal Trouxe o Trombone. Foi lá também que o público assistiu aos primeiros shows do Projeto Pixinguinha, a partir de agosto de 1977 – mesmo ano em que o Teatro Dulcina foi vendido pela atriz para o Governo Federal, que delegou sua administração ao Serviço Nacional de Teatro. Somente em 1984, no entanto, ele passou a funcionar sob a administração da Funarte, que realizou a reforma mais recente no espaço entre 2010 e 2011, quando o Teatro Dulcina foi reaberto, mantendo as características arquitetônicas art déco que fazem parte de sua história."
Fonte: http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/atores-do-brasil/dulcina-atriz-e-teatro/