Plínio Marcos, escritor brasileiro contemporâneo, conhecido e apreciado mundialmente. Suas tragédias, podemos assim dizer, guardarão eternamente semelhanças com o cenário político brasileiro, onde prevalece a lei do mais forte. E essa é, justamente, a origem de uma série de desajustes que afligem o nosso país. Embora sejam marcadas pela experiência brasileira, suas tramas têm uma abordagem especi
al que as torna acessíveis em qualquer parte do mundo. Entre tantas peças de Plínio Marcos, ‘Navalha na Carne’ – mesmo censurada durante 13 anos – é a mais encenada desde que foi escrita em 1967. A trama de um único ato se passa em um quarto de bo**el e é centrada no conflito subumano, marginalizado e sem escrúpulos entre três personagens: Neusa Sueli, a pr******ta; Vado, o cafetão; e, Veludo, o serviçal astuto do bo**el. Considerada um dos maiores clássicos da dramaturgia contemporânea brasileira, ‘Navalha na Carne’ é absolutamente atemporal. O discurso machista no texto é talvez o maior trunfo para estabelecer um diálogo profundo e polêmico entre personagens, atores e espectadores. De um lado do caloroso e dramático embate está Neusa Sueli, uma mulher de 30 anos, já rodada na vida e sem nenhum sonho de realização social, que, por amor e comodismo, sustenta Vado, um cafajeste másculo, preconceituoso e manipulador. Do outro lado, além de Vado, está Veludo, um caricato homossexual que não mede esforços para roubar trocados para financiar suas aventuras se***is com garotinhos de rua.