23/01/2026
Pedido de Socorro
Existe um sentimento reprimido que cresce em silêncio,
entre mensagens vazias e conversas mornas,
palavras automáticas, respostas sem profundidade,
como se o amor estivesse sempre esperando
um momento melhor que nunca chega.
E nesse intervalo, o sentir se aperta,
pedindo passagem, pedindo cuidado.
A distância pesa mais quando falta compreensão.
Não é só o longe do corpo,
é o longe do olhar atento,
do interesse que acolhe,
da escuta que não julga.
A rotina engole o encanto,
transforma o que era vontade em hábito,
e o amor vai f**ando ali, espremido,
tentando sobreviver entre os dias iguais.
O coração sente a dor de saber
que não é o único lugar de abrigo.
Ele percebe quando divide espaço,
quando precisa disputar silêncio, tempo, escolha.
Dói amar sabendo que o outro vive partido,
entre dois amores, duas histórias,
duas decisões que nunca se resolvem.
E mesmo assim, esse coração insiste,
mesmo cansado, mesmo ferido.
Este poema é um pedido de socorro
escrito nas entrelinhas,
escondido nas pausas das conversas mornas,
no intervalo das respostas tardias,
no esforço de parecer forte enquanto desmorona.
Não é cobrança, nem acusação.
É apenas um amor sufocado
pedindo para não ser esquecido,
antes que a distância, a rotina
e a indecisão o façam se calar de vez.
Andreia Castro (Branquinha)
Código do texto: T8541180