Osias Canuto

Osias Canuto Música, Crônicas e Outros Absurdos

Sabe o demônio uma infinidade de coisas. Não todas as coisas. Muitas. Ninguém sabe sobre tudo. Ele não sabia, por exempl...
25/01/2026

Sabe o demônio uma infinidade de coisas. Não todas as coisas. Muitas. Ninguém sabe sobre tudo. Ele não sabia, por exemplo, que teria problemas ali com aquele rosto, aquele corpo, aqueles olhos que o olhavam intensamente. Ela, ainda sem marcas do tempo, era mais linda que a própria beleza. Ele, um pouco mais velho. Quase nada. Cinco anos ou por próximo. Se olharam. Sorriram no mesmo momento. Ele abaixou a cabeça. Ao retornar à posição inicial ela ainda o olhava. Parecia um anjo, a Vitória de Somatrácia. Enigmática e bela. Ele tentou se esquivar. Convenhamos, ao demônio não cabe bem acrescentar um anjo em sua vida. Estava confuso. Ela percebeu e sorriu novamente. Perguntou algo, talvez sobre as horas, talvez sobre o tempo, o destino final dele. Levantou-se e sentou-se ao lado dele. Muito próximo. Próximo, de fazer o calor esquentar todas as veias. Veias dele, veias dela. Inútil fugir. A paixão chegou ligeira em três, dois, um. Desceram juntos em uma parada qualquer. Não era a dela, não era a dele, era outra; a que convinha a ambos no intuito de não se apartarem. Sentaram. Um café. Ela falou das aulas na universidade, da política, de músicas e filmes. Ele falou do amor pelos livros, da morte e da solidão das almas. Ela ouviu tudo com vivo interesse, ele ouviu tudo com verdadeiro encanto. Recomeçaram outras histórias. Não queriam acabar. Era tudo de perfeita harmonia e poderia durar para sempre. A tarde avançaria e a noite viria quase sem fim. Ela precisava ir. Ele ficaria eternamente. Não ficou. Retornou ao princípio, cheio de sonhos e contando as horas para vê-la novamente. Mas não a veria de imediato. Ela não podia. Não explicou exatamente o motivo. Apenas não podia. Agora a vida dele era ansiedade e desordem. E assim começava o inferno.Tudo como tantas vezes, em tantas vidas, em tantos tempos diversos. Assim, até que a morte o separe e liberte desse mundo. Assim, até que o sonho se desmanche em realidade.
Autor: Osias Canuto

Chega de romantismo.Todo homem é uma ilha. Um amontoado de ilusõescercado de angústia e solidãopor todos os lados. Dito ...
07/12/2024

Chega de romantismo.
Todo homem é uma ilha.

Um amontoado
de ilusões
cercado de angústia e solidão
por todos os lados.

Dito isso,
tudo o mais que eu possa escrever
é apenas poesia.

A necessidade de falar,
o querer,
as idiossincrasias,
esse ódio mal disfarçado,
essa melancolia persistente
ao cair da tarde

é puro sentimentalismo barato.

E aos que ainda morrem por amor,
meus sinceros sentimentos.

Estão todos enganados.

Mais valeria dar de ombros
e aprender a tocar um instrumento.

CANÇÃO DE OUTONO
Autor: Osias Canuto

Não é Monet ou Renoir, Caillebotte ou Pissarro, é apenas a lente do meu celular na Casa Japão, em São Paulo.Osias Canuto
16/07/2024

Não é Monet ou Renoir, Caillebotte ou Pissarro, é apenas a lente do meu celular na Casa Japão, em São Paulo.
Osias Canuto

Não tenho o poemaque euqueria escrever.Porém,tenho o Nada.O poema serviriaapenas a Maria,apenas a João,apenas a quem,des...
20/01/2024

Não tenho o poema
que eu
queria escrever.

Porém,
tenho o Nada.

O poema
serviria
apenas a Maria,
apenas a João,

apenas a quem,
descuidado,
cuidasse de ler.

O Nada
serve a todos.

Muito embora
algumas almas
perdidas
finjam
que são plenas.

O Nada,
que
com Heidegger
nadeia,

quase matou
Maria,
quase enlouqueceu
João,

quase levou fulana
a confessar o medo
e a solidão.

O Nada
que tenho

é o único caminho
ao poema
que não tenho.

O POEMA E O NADA
Autor: Osias Canuto

No prédio principal do inacessível castelo,fui conduzido à tristedespedida do laborioso garçom. Cinquenta anos servindo ...
04/11/2023

No prédio principal
do inacessível castelo,
fui conduzido à triste
despedida do laborioso garçom.

Cinquenta anos
servindo um ma***to café coado
aos descartáveis ocupantes
do alto escalão.

Um calor desconfortável
inundava o provinciano salão.

Grupos de notáveis,
em seus ternos e tailleurs
de tecido barato,
desfilavam olhares de desprezo.

Não me impressionaram.
Tudo somado,
não os trocaria por um único
ponteiro do meu relógio.

Findo o melancólico evento,
uma mão fria tocou meu ombro.

Me deparei
com o rosto branco de Carlos.

Mas o que fazia o poeta
em tão adverso ambiente?

Fugimos ao edifício adjacente,
onde transito perdido
e sou quase ninguém.

Onde a palavra arte
é apenas um substantivo
indesejável.

Onde o trabalho é interminável,
escutando, lendo e
respondendo vozes do além.

DIGRESSÃO DO POETA EM DESALINHO
Autor: Osias Canuto

15/10/2023

Eu tinha um amigo que dizia: "gosto de ouvir Chico Buarque tocado por você porque vem com bula". É uma mania minha de sempre explicar as músicas antes de tocar. Achava que, principalmente em se tratando de Chico Buarque, isso facilitava que a pessoa gostasse. E lembrei eu explicando a ele esse trecho da canção Eu Te Amo: "Rompi com o mundo, queimei meus navios". Uma provável referência à Hernan Cortes que, ao chegar ao México, mandou incendiar todos os navios para impedir que seus soldados fugissem com medo das batalhas pela conquista daquela terra.

Por mais que eu já tenha vindo a Santorini, e já vim algumas vezes, não canso de me encantar e fotografar! Pela lente do...
25/08/2023

Por mais que eu já tenha vindo a Santorini, e já vim algumas vezes, não canso de me encantar e fotografar! Pela lente do meu celular!
Osias Canuto

Porto de Paros, Grécia. Pela lente do meu celular! Osias Canuto
20/08/2023

Porto de Paros, Grécia. Pela lente do meu celular!
Osias Canuto

Little Venice, Mykonos. Pela lente do meu celular!Osias Canuto
13/08/2023

Little Venice, Mykonos. Pela lente do meu celular!
Osias Canuto

Cuidado com o tal do Coach! 😃
20/07/2023

Cuidado com o tal do Coach! 😃

02/07/2023

Para mim, nada mais natural do que acordar num domingo às 06:00 da manhã e fazer um bolo. Bolos fazem parte da minha memória da minha mãe e de toda uma vida! Sem falar que é insuperável com um cafezinho! 😀

É isso!
22/06/2023

É isso!

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