10/06/2026
"FELICIDADE INVISÍVEL" - PEÇA CELEBRA ALEXANDRE RIBONDI EM BRASÍLIA
Teatrólogo construiu as bases do teatro brasiliense, fundou o primeiro grupo de luta LGBT da capital e morreu há três anos
Ele tinha 15 anos quando o pai, seu Firmino, disse que já era grandinho o suficiente para ganhar o mundo. E do Espírito Santo das matas, taruíras e onças, foi enviado para viver onde o irmão mais velho já habitava: Brasília. Que era uma criança, também. Não tinha 10 anos ainda. De lá até 2023, quando ainda jovem decidiu partir, Alexandre Ribondi dedicou mais de 50 anos da vida a construir o teatro e a linguagem teatral que a cidade teria, criou o grupo Beijo Livre - o primeiro de luta por direitos LGBTs do DF - e foi repórter do jornal Lampião, junto com Agnaldo Silva, e de diversos outros periódicos. Na próxima quarta-feira (10), se completarão três anos de sua morte. E para celebrar sua existência, a Cia Ruiva de Teatro, fundada por ele em 2016, apresenta FELICIDADE INVISÍVEL.
Sim, ele era pioneiro em praticamente tudo o que se envolvia. Lá estava ele quando decidiu botar um sapato de salto alto em Cássia Eller e fazê-la usar em suas primeiras incursões pelos palcos, no musical Gigolôs. Antes, lá estava ele quando da virada dos anos 70 para os 80 e, estimulado pelo cansaço que a Ditadura provocava, resolveu botar no palco "Crepe Suzette - o Beijo da Grapette", o primeiro besteirol brasiliense. E antes de sentir o peso do cansaço, sofreu as dores da perseguição: foi preso, torturado e obrigado a se exilar.
"Ribondi vinha sentindo a melancolia de quem lutou demais por tudo: pela democracia, pelos direitos de populações minoritárias como a própria a que pertencia, pela criação de uma linguagem teatral única. E em seus últimos anos, vinha sentindo o cansaço da cobrança de adequação. É engraçado isso, até. Ele dizia que lutava pelo direito à esquisitice, mas quando se tornou 'velho', começou a ser perseguido pela juventude do 'usa o Google, não sou obrigado a te ensinar nada'. Essas incompreensões foram torturantes pra ele", revela o diretor Morillo Carvalho, amigo de sua intimidade e com quem fundou a Casa dos Quatro.
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