22/10/2018
O ritual de iniciação no Candomblé Angola a feitura, representa um renascimento, tudo será novo na vida do Mona Nkisi (filho-a), ele receberá uma dijna, nome pelo qual passará a ser chamado dentro das comunidades dos Candomblés. É marcado um toque no barracão que chamamos de ABOLONÃ, são feitas algumas cantigas para os Nkisis no Nzo, e somente nas cantigas de KIDEMBO o filho passa a entra em transe com seu Nkisi, onde bola no chão como se houvesse uma necessidade da feitura na qual se inicia os caminhos entre o filho e seu Nkisi. A feitura tem por início: recolhimento, que são de 21 (vinte e um) dias de reclusão e neste prazo são realizado banhos, kibane mutuê, disciplina, oferendas, ebós e todo o aprendizado, rezas, ensaios, e outros. Quando recolhido o filho ou a filha será chamado de muzenza, já dando iniciação a raspagem no MUTUÊ (cabeça) recebe o canal de comunicação com seu Nkisi, entre o ritual que vai aprimorando, o principal entrar com seu nascimento do ORÔ MAIOR. O Muzenza recebe o kelê, mocrãn, os idés, os fios de munjilós, umbigueira, contra eguns. O Muzenza terá que passar por rituais no decorrer dos 21 dias, seu corpo será katulado o fechamento de corpo com navalha passado a pemba e o atim, assim o filho ficará livre de males que possam lhe prejudicar em seus caminhos. O batismo é fundamental do Mona Nkisi estará recebendo toda a energia ocular entre a sua vida espiritual junto com o nascimento do seu Nkisi. O batismo realizado no Candomblé Angola e que utilizamos, água energia de Nzambi Mpungu para o nascimento, águas dos assentamentos de Lembá Dilê e Nzazi tiradas do Nzo, que será lavada a cabeça do iniciante, rezas e fundamentos, com sacrifícios de animais e aves. As pinturas com a pemba ralada tem que ser feita conforme a sua hierarquia, com suas devidas cores, denominado efun. Ele deverá passar por quatro saídas a primeira no alá branco a segunda na pintura branca, terceira com as cores dos Nkisis conforme a hierarquia e a ultima a saída do Nkisi, com suas roupas e paramentas. Mona Nkisi terá agora o assentamento do seu Nksi para ofertar-lhe com sacrifícios de animais de acordo com as características de cada um. A festa ritualística que marca o término deste período é denominada saída do Nkisi, neste momento ele será apresentado à comunidade. Ele será acompanhado por uma autoridade à frente de todos para que lhe sejam rendidas homenagens. Deitado sobre uma esteira, ele saudará com adobále e paó, que são palmas compassadas que serão dadas a cada reverência feita pelo Mona Nkisi e acompanhadas por todos presentes, como demonstração de que a partir daquele momento ele nunca mais estará sozinho na sua caminhada. Primeiramente saudará o Mundo, neste momento a localização da esteira é na porta principal do Nzo, no seu interior ele saudará a Ntoto o Nksi da terra, e por último de frente as Ngomas que representam as autoridades presentes. O momento mais aguardado do cerimonial é Orunkó, neste momento o Nkisi dirá o nome de iniciação de seu filho perante a todos e também neste momento que se abre a sua idade cronológica dentro de sua vida com o Nkisi. A celebração do Nkisi é sempre aos sábado, dando continuidade no domingo com a QUITANDA DE WUNJE, na segunda-feira celebramos a FLOR DO VELHO que simboliza a mesa farta. Após a saída do recolhimento o Mona Nkisi permanecerá de resguardo até a queda do kelê fora do barracão por um período de 3 (três) meses, neste período ele será orientado de tudo que não pode fazer o preceito do Kelê é de extrema responsabilidade, se falhar pode perder a sua relação entre a sua caminhada com o Nkisi, deve continuar sempre sentando no chão sobre a esteira durante um ano, está proibido utilizar outra cor de roupa somente o branco da cabeça aos pés, nem tão pouco sair à noite. Até que o Mona Nkisi complete a maior idade, terá que continuar dia a dia o seu aprendizado e reforçar os seus votos por meio das obrigações. O transe é imprescindível para que uma pessoa seja iniciada com o batismo, a manifestação faz parte da liturgia dos Nkisis e ele está em cada um de seus filhos. Isso é muito importante, porque só os batizados podem assumir determinadas funções sacerdotais como os cargos de Tata (Zelador) ou Mametu (Zeladora).