05/06/2020
A Cultura Ra***ta e o Trote
Entender os fenômenos políticos e sociais de forma crítica e histórica realmente é uma tarefa que exige muita reflexão, diálogo e maturidade. Apesar de existir uma boa intenção por trás de tantas notas de repúdio, ficamos nos perguntando quais seriam os reais ganhos para a vida daqueles que as redigiram e publicaram nas redes, assim como para o movimento popular.
O intuito dessa reflexão não é “competir militância” através de textão nas redes sociais, porque isso não configura sozinha uma militância de fato. Entretanto, relembrar o passado e tomar consciência sobre os processos que se desenrolaram é importantíssimo para as tomadas de decisões.
Nessa senda é importante trazer algumas perguntas: Vocês lembram quando tentamos discutir sobre o machismo e racismo dentro do trote (e isso desde 2014 ou antes)? E em 2018 quando um aluno dessa mesma república pegou o microfone numa assembleia usando a camiseta do Bolsonaro (CLARAMENTE FASCISTA E RA***TA DESDE MUITO ANTES DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS) e falou um monte de m***a? Quantas vezes já ridicularizaram repúblicas antitrote por tentarem conversar sobre essas questões?
O racismo sempre esteve presente de forma clara e exacerbada no campus de Botucatu!
O país precisa estar literalmente pegando fogo, acontecer manifestações neofascistas e neonazis, pessoas precisam morrer e o movimento precisa se tornar popular no país da cultura imperialista pra galera da UNESP campus de Botucatu se tocar da cultura ra***ta que ela mesmo normaliza? E desculpa, não venham nos dizer que é por falta de espaço e iniciativas por parte do Movimento Estudantil e Coletivos, porque NÃO É.
Então qual o sentido disso?
Precisamos enxergar o privilégio em nós mesmos antes de levantarmos uma bandeira. É muita falta de noção postagens tão hipócritas. Muita gente ainda acha que é plausível “brincar” de sinhô&sinhá com os bixos (com direito à “libertação” no dia 13 de Maio), xingando de tudo que é nome baixo e fazendo pressão psicológica alá quartel militar. A gente fala disso TODO FU***NG COMEÇO DE ANO.
Mesmo com todo o sentimento de revolta e injustiça precisamos também entender o processo histórico que vivemos, a enorme despolitização da sociedade e a pós política dos quais não estamos isentos. Apesar disso, o sentimento eufórico de avanço nas manifestações populares instiga quem já está nessa luta por finalmente podermos dialogar com quem está se entendo.
Não tornem essa movimentação política desarticulada de nossas realidades (como foi em 2013), façam a autocrítica de suas próprias reps, leiam/assistam/divulguem o que os sociólogos, historiadores, cientistas sociais e políticos revolucionários têm a dizer sobre as lutas antifascistas e antira***tas e estejam preparados para SUSTENTAR o discurso desses movimentos DIARIAMENTE daqui pra frente.
Agora que sabemos que podemos estar do mesmo lado vamos estar mais atentos e também cobraremos atitudes condizentes com o posicionamento político em rolês.
A palacete não tem medo de dizer: FOGO NOS RA***TAS.