26/10/2024
A importância da escola, da capoeira e danças afro-ancestrais para o desenvolvimento da criança e adolescentes em Alto Alegre do Pindaré.
Por: Antonio Francisco Ramos
Professor de Capoeira, Cientista Social, Especialista em Psicologia da Educação, Mestre em Ciência Política e Doutor em Educação.
A capoeira é uma manifestação da cultura afro-brasileira que envolvem uma multiplicidade de aspectos formativos, que contribuem para o desenvolvimento humano em sua integralidade. Possui uma linguagem própria em que o corpo em movimento é seu principal palco de manifestação por meio da luta, jogo, dança, musicalidade e teatralidade, sendo considerada uma manifestação cultural e esportiva, que gradativamente adentra aos espaços escolares como atividade educativa, que valoriza e reconhece os saberes e fazeres afro-brasileiros, a contribuição dos povos africanos e indígenas para a formação da cultura brasileira.
Desse modo, ao considerar a capoeira como possibilidade educativa e curricular, ratifica-se uma concepção abrangente de educação prevista na Lei 9.394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), segundo o qual: “Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”.
A concretização desta possibilidade já é realidade no município de Alto Alegre do Pindaré (MA), por meio dos projetos implementados pela Escola Cultural Memórias, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescentes (CMDCA). Pude testemunhar esta concepção ampla de educação prevista pela LDB de forma concreta, especialmente a transubstanciação dos aspectos formais previstos nas Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que torna obrigatória o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, no currículo vivo que é capoeira e dança da mangaba, na ocasião em que estive para vivenciar uma das atividades nos dias 29 e 30 de abril de 2023.
Este projeto em parceria com a escola propicia espaço-tempo de vida e alegria, de reconhecimento das diferenças e da diversidade, num fluxo de relações que extrapolam o campo da capoeira, enquanto cultura e deporto, ao trazer a convivência familiar, comunitária e intergeracional, portanto, necessária para o desenvolvimento da criança e do adolescente, dada a sua condição peculiar de desenvolvimento, conforme prevê a Lei 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Trago na memória um projeto que faz a escola está na comunidade e a comunidade está na escola, onde as mães, servidores da escola, pessoas com e sem deficiência, idosos e mulheres, em suas diferenças, formam um só corpo de comunidade viva e atuante, com vínculos fortalecidos e autoestima elevada, garantido o direito a cultura na sua dimensão indivisível e articuladas com outros direitos fundamentais para a pessoa humana.
Parabéns, Escola Cultural Memórias pelo trabalho de excelência!
F**a aqui o meu axé!
Texto retirado da Revista Memórias de Gingas (edição n°01/2024).