16/09/2015
Somos matéria de capa do Magazine de hoje. :D
PUBLICADO EM 16/09/15 - 03h00
LUCAS SIMÕES
O cenário não muda muito de cidade para cidade no Brasil. Nos bastidores da noite, a maioria das bandas se conhece, troca figurinhas e divide o palco em busca de atenção do público. O problema é justamente este: como convencer pessoas a assistir a shows de artistas que elas mal conhecem? Para o produtor Carlos Eduardo Miranda, uma das repostas está nos chamados “pequenos grandes festivais”. “Se você organiza um evento com seriedade, divulgação e apoio, o público vem e se surpreende com o line-up. É o que projetamos para BH, que tem uma cena incrível e precisando desse tipo de iniciativa para que a música indie seja levada a sério”, diz.
Um dos empurrões para a cena indie das Alterosas decolar é o 1º Festival Viva, com patrocínio da Skol Music e curadoria de Miranda. O evento vai ocupar A Autêntica, o Baixo Centro Cultural e o pouco explorado parque da Serra do Curral de amanhã a sábado, reunindo seis bandas de Belo Horizonte – Pequeno Céu, Young Lights, Valv, The Ju**ie Dogs, Dibigode e Câmera – e os convidados goianos e psicodélicos do Boogarins.
A escolha das bandas aconteceu por um processo ao qual Carlos Miranda está acostumado à frente do selo StereoMono, pertencente à Skol Music. “Eu não participei da curadoria de perto, mas dei dicas. E sei que, se a gente passasse o dia ouvindo bandas de Minas, reuniríamos line-ups para dezenas de festivais. Queríamos artistas com o espírito ‘faça você mesmo’”, diz o produtor.
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Dentro dessa proposta, a noite de abertura dos shows será n’A Autêntica, com som das bandas Young Lights e Pequeno Céu. A primeira foi criada pelo músico Jairo “Jay” Horsth Paes, que desenvolveu a ideia folk rock que permeia a banda enquanto morava em Massachusetts, nos EUA, recrutando posteriormente quatro músicos com os quais lançou um EP, “An Early Winter” (2013) e um disco cheio, “Cities” (2014).
Com história parecida, o Pequeno Céu nasceu pelas experimentações do guitarrista Manuel Horta, filho de Toninho Horta, em 2009, como uma espécie de “one man band”. Hoje, porém, a banda incorpora outros quatro integrantes e referências que passam por Hurtmold, Fela Kuti, Miles Davis e Naná Vasconcelos. No show de hoje, os músicos vão apresentar canções novas do terceiro disco, a ser lançado entre novembro e dezembro, com influências mais marcantes da música folk.
“Eu acredito que essas bandas específicas do Festival Viva são parecidas porque são as que fazem os seus próprios ‘corres’, produzem seus discos. A gente não tem apoio de empresa ou grande selo. E, especificamente, a música instrumental tem ganhado espaço com isso. Somos nós e o Dibigode representando o gênero”, diz o percussionista da Pequeno Céu, Renato Moura.
Para o músico Marcos Braccini, baixista da banda Jukie Dogs, que sobe ao palco do Baixo Centro Cultural para movimentar a segunda noite do festival, existe uma “cultura submersa” no universo indie que pode ser ajudada pelos festivais. “Vários discos independentes muitas vezes não deixam nada a desejar em questão de qualidade e excelência artística para bandas que têm uma estrada mais longa e uma estrutura melhor. Acho um trabalho necessário esse tipo de festival”, avalia.
Os Ju**ie Dogs farão show do elogiado álbum de estreia, homônimo, lançado no fim de 2014. Na mesma noite, a banda Valv apresenta o repertório do próximo disco, sucessor de “The Sense of Movement” (2013), que levou os mineiros a festivais como Bananada, Curitiba Pop Festival e SXSW, no Texas.
Encerrando o 1º Festival Viva, o Boogarins é a atração mais aguardada, dividindo a última noite de shows com os mineiros do Dibigode e do Câmera, no palco especial montado no parque da Serra do Curral. A banda goiana formada por Dinho Almeida (vocais e guitarra), Benke Ferraz (guitarra solo), Raphael Vaz (contra-baixo) e Ynaiã Benthroldo (bateria) é das mais recentes revelações brasileiras, marcando presença ostensiva no circuito Europeu, além de integrar o cast da Skol Music, que lançará o próximo álbum deles, “Manual”. “Somos uma banda underground, mas que tem conseguido projeção. Legal é saber que outras bandas se inspiram na gente”, diz Banke.
OUTRAS ARTES. Além dos shows, o 1º Festival Viva também vai contar com food trucks e food bikes, e mais intervenções artísticas do coletivo Quarto Amado, com venda de zines, camisetas e CDs, além de uma performance ao vivo do artista Luis Matuto, inspirada na música.
Entre os shows, os DJs Frankiw, Fael e Bittencourt serão responsáveis pela discotecagem de música indie durante todo o festival.
Câmera The Ju**ie Dogs Young Lights Dibigode Boogarins VALV Pequeno Céu