No Dicionário Houaiss, a palavra FÚNEBRE é o que diz respeito a óbito, sepultamento como processo e cerimônia; funeral; o que anuncia, evoca ideia de morte ou mortos; o que inspira sentimentos tristes, sombrios; funéreo, lúgubre, soturno. Nada disso, de imediato, nos lembra Carnaval! A não ser que estejamos falando de um dos blocos mais irreverentes do Carnaval de rua de Belo Horizonte! FÚNEBRE, p
ara esta turma movida a ritmo e alto astral, significa o enterro incondicional da chatura, da mesmice, balançando as estruturas das certezas sombrias. Enterrando a tristeza, e ressuscitando a alegria, o Bloco FÚNEBRE abre com seu cortejo nada funesto a sexta-feira de Carnaval, atraindo a cada ano sempre um número crescente de milhares de foliões. O Bloco nasceu no Carnaval de 2011 com o nome de Bica-Bloco. Na época, a irreverência já era parte do DNA daquele pequeno grupo de amigos que saiu às ruas de Belo Horizonte para crescer (ou atrapalhar!) as baterias dos Blocos que surgiam na cidade. Com o sucesso da
participação, em 2012 surgiu a ideia de fundar um Bloco independente. Finalmente, em 2013, nascia o bloco que enterra a tristeza nas sextas-feiras de Momo. De lá pra cá, o FÚNEBRE tornou-se uma das grandes atrações do Carnaval de rua de BH. Temático, original, com uma marca pessoal única. O cortejo noturno da sexta-feira carnavalesca, nas cores roxo, preto e rosa predominantes, nasce na Praça da Bandeira e, ao
longo do Percurso, vai arrastando uma multidão pela Avenida Afonso Pena até a Praça da Estação – o maior percurso de um bloco na cidade. Na verdadeira festa-velório da tristeza, integrantes maquiados como caveiras ou motivos mortalmente arrepiantes. Não pode faltar um caixão – de cerveja! -, uma coroa de flores (nos cabelos, também!) e, pra arrepiar de vez com qualquer possibilidade do tédio sobreviver, a “Dona Morte”, uma bela alegoria com mais de três metros de altura que observa os seguidores, atenta para não deixar que caia nenhuma pá de cal na animação. Antes do Carnaval, a bateria do Fúnebre leva a qualidade da batida bem a sério. Os ensaios, abertos e democráticos, promovem a formação e o aprimoramento de ritmistas e de pessoas que muitas vezes nunca tiveram uma iniciação musical. O repertório que será levado para a
avenida exige uma atenção diferenciada dos demais blocos de BH. Afinal, quem mais, além do Fúnebre, deixa os foliões mortos de admiração e energia, sambando na cara do convencionalismo? Tango, valsa, xote, congo, sepultura... O que der na telha dessa turma totalmente aberta à experimentação pode virar hit sob a batida dos tamborins frenéticos, das caixas ensandecidas, dos surdos vibrantes, dos agebês furiosos. Na trilha sonora do enterro da ruindade cotidiana, músicas como: Canto para minha Morte, Fita Amarela, e até Roots Bloody Root sob a regência do músico Violeo Lima, idealizador do Bloco. Suor, inspiração, dedicação, para um desfile sempre inesquecível. No cortejo do Fúnebre é assim: quem é VIVO sempre aparece! E você, vai ficar aí, se fingindo de morto(a)? Ney Mourão.