08/08/2019
Sempre acho que uma das melhores definições de vida, se é que essa empreitada é possível, é de autoria do Guimarães Rosa:
"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."
No fim das contas, o Rosa também estava falando de movimento.
E dessa parte a gente entende bem...seja o movimento do corpo, da dança, seja o movimento de criar, se (re) inventar, tentar, cair, levantar… tudo teimando em não perder o brilho no olho e sem perder de vista as coisas que mais acreditamos.
E assim construímos 17 anos de história.
Começamos na casa que foi da D. Palmyra, avó do Daniel. A mulher criativa que nos deu um nome, um norte, muita história de afeto e inspiração.
O Espaço Myra de Arte foi feito por muitas vozes, braços, pés, corpos, suores e mãos dadas.
Nem vamos tentar enumerar o tanto de gente a quem somos gratos porque é até sa*****em.
Mas sim, nós temos muito a agradecer a todos que vieram trabalhar, criar e produzir arte conosco.
Muito a agradecer a quem nos deu a mão nos momentos difíceis.
E também ficamos muito felizes por ser a acolhida de pessoas que precisaram de um lugar pra trabalhar, com toda a liberdade e confiança, mesmo que por algumas vezes isso tenha se tornado um tiro no pé.
Não nos arrependemos.
Assim, contamos pros nossos amigos: estamos desativando o espaço físico da nossa querida casa.
Mas, estamos encarando como mais um processo criativo e de reivenção: vamos continuar dando cursos, workshops e o que mais conseguirmos criar.
Uma pena é não ter mais paredes pra colocar nossas fotos e cartazes de festivais, os móveis que eram da D. Myra, os presentes, as marcas das aulas de dança, uma cozinha pra passar um café enquanto planejamos os próximos passos.
Mas eles virão.
E nós nos encontraremos em breve!
Até lá, fiquem com nosso abraço grato e carinhoso. E com a certeza de que as mãos estarão dadas onde quer que estivermos.
Fafá e Daniel
em tempo: quem quiser colocar nos comentários alguma lembrança vivida na Myra, vamos ficar felizes e costurar simbolicamente essa enorme colcha de retalhos de memórias especias.