A ideia de se ter um grupo de teatro apenas com atores negros em Belo Horizonte surge em 1993, quando Hamilton Borges reúne ativistas do MNU - Movimento Negro Unificado para armarem estratégias para chamar a atenção da sociedade às questões dos negros, dos favelados e periféricos da cidade. Em 13 de junho de 1994 é apresentado à cidade o TEATRO NEGRO E ATITUDE. Seu surgimento foi uma inovação esté
tica, uma conspiração cênica em que negros e negras dessas Minas Gerais fossem protagonistas de suas histórias, encontrado-se no centro da criação e, nesse processo, tivessem por referência uma visão mais ampla de sua afro-descendência. Em 1995, quando a Secretaria de Cultura de Belo Horizonte (hoje Fundação Municipal de Cultura), através do Centro Cultural Inter-regional Lagoa do Nado (CCILN), anunciou a implantação da Usina de Teatro, nascida para dar suporte técnico e pedagógico para grupos de teatro profissionais e semi-profissionais, o TEATRO NEGRO E ATITUDE, recém-nascido, logo se interessou em fazer parte desta experiência de descentralização e fomentação da arte na periferia. Com passos firmes a Usina caminhou, firmou e fortaleceu os grupos que atenderam o chamado. Com uma experiência, até então, didática e panfletária por conta de sua origem em movimento social, o grupo entrou em conflito - se desfez... refez... ressurgiu com um caráter mais artístico, ainda político, mas, não mais panfletário ou didático. Com o passar dos anos outros artistas passam a integrar o grupo, com isso este passa a ter uma cara mais bem definida, intercambiando informações com todas as formas de organização cultural e com a comunidade em que está inserido, instigando o encontro teatral como sendo um espaço de discussão acerca dos problemas humanos, exercitando e cumprindo aquilo que acredita ser função da Arte: ser um instrumento de sensibilização da sociedade e, por consequência, do desenvolvimento intelectual humano. Hoje o grupo se ocupa à pesquisa de um teatro que beba nas manifestações da cultura popular brasileira de matriz africana e seu emprego no fazer teatral, trazendo para a cena textualidades, corporeidades e musicalidades existentes na cultura afro-brasileira para a criação de uma linguagem cênica que difunda e valorize a cultura nacional. Imprimindo sua “cara preta” na cena belorizontina e vem conquistado um público cada vez mais amplo através de espetáculos teatrais e performances de notória excelência artística, além de encontros, fóruns, seminários, palestras, bate-papos, workshops, cursos e oficinas com o intuito de compartilhar os saberes práticos e teóricos adquiridos em sua pesquisa, dialogar com as diversas linguagens artísticas e refletir sobre o papel social da arte.