05/08/2022
Em 1905, teve início a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), tendo como ponto inicial a cidade de Bauru. O avanço sobre territórios a oeste do Estado devorou matas, operários e indígenas. Destes, os Kaingang foram as maiores vítimas, pois ainda viviam nas matas do interior paulista e se recusavam ao contato com os “brancos”. Pagaram caro – com sangue - por resistir ao avanço da "modernidade".
Para que os trilhos avançassem era necessário remover o “obstáculo”, ou seja, os indígenas, tarefa subempreitada para tropas de bugreiros.
Os trilhos da Noroeste avançaram em território Kaingang e os indígenas respondiam com ataques surpresa contra grupos pequenos de trabalhadores, destruindo trilhos, queimando postes telegráficos e outras construções da ferrovia. Nos anos que se seguiram, foram vários os conflitos entre os Kaingang e os “brancos”. Somente em um ataque organizado, foram mais de 100 indígenas mortos.
Os conflitos entre os empreiteiros e os indígenas eram relatados na imprensa da capital e era assunto debatido nos meios políticos e sociais. Alguns defendiam o extermínio dos Kaingang, pois acreditavam que não era possível se chegar a um acordo com, em suas palavras, "selvagens tão bárbaros". Outros, porém, se colocavam ao lado dos indígenas, denunciando os massacres a que estavam sujeitos nas mãos de gente ainda mais bárbara e selvagem, como eram os bugreiros.
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Imagens: Acervo Museu Ferroviário Regional de Bauru. Disponível em: www.projetomuseuferroviario.com.br;