21/05/2026
O caso de Fabiane Maria de Jesus ficou marcado como um dos episódios mais brutais já causados por fake news no Brasil.
Fabiane tinha 33 anos, era mãe de duas meninas, extremamente religiosa e conhecida pelos vizinhos como uma mulher tranquila no bairro Morrinhos, no Guarujá, litoral de São Paulo.
Mas em 2014, moradores da região começaram a viver um clima de medo após boatos sobre uma suposta sequestradora de crianças começarem a circular nas redes sociais.
Uma página no Facebook publicou o retrato falado de uma mulher que estaria raptando crianças para rituais de magia negra.
O problema é que a própria polícia confirmou depois que nunca existiu qualquer registro oficial desses crimes na região.
Mesmo assim, o boato se espalhou rapidamente pela internet.
Dias depois, uma moradora compartilhou a foto de uma mulher loira de cabelo cacheado afirmando que ela seria a suposta criminosa.
No dia 3 de maio de 2014, Fabiane havia acabado de pintar o cabelo de loiro.
Naquela tarde, ela saiu de casa para buscar uma bíblia que tinha esquecido em uma igreja próxima.
No caminho, ofereceu uma banana para uma criança que estava na rua.
Foi então que algumas pessoas passaram a dizer que ela era a mulher do retrato falado.
Em poucos minutos, uma multidão começou a se reunir ao redor dela.
Mesmo sem qualquer prova e sem saber quem ela realmente era, várias pessoas começaram a espancar Fabiane violentamente.
Ela foi arrastada pela rua, puxada pelos cabelos e agredida com socos, chutes, pedaços de madeira e até uma bicicleta.
O mais chocante é que tudo foi filmado.
Nas imagens, é possível ouvir pessoas perguntando: “É ela mesmo?”
Enquanto outras respondiam:
“Eu acho que é.”
Ou seja, nem quem participava do linchamento tinha certeza da acusação.
Em outro momento, moradores chegaram a dizer que a bíblia de capa preta carregada por Fabiane seria um “livro de magia negra”.
Quando a polícia chegou ao local, Fabiane já estava gravemente ferida.
Ela foi socorrida e levada ao Hospital Santo Amaro, onde permaneceu internada por dois dias, mas não resistiu.
A morte dela causou revolta em todo o país e transformou o caso em um dos maiores símbolos do perigo das fake news e do julgamento coletivo nas redes sociais.
Durante as investigações, cinco pessoas foram identificadas e presas pelas agressões.
Já o administrador da página responsável por espalhar o retrato falado nunca foi condenado criminalmente pelo caso.
Anos depois, a história de Fabiane ainda é lembrada como um alerta sobre até onde uma mentira espalhada pela internet pode chegar.