16/05/2024
Desde sempre, música é religião e religião é música.
Pena custar entenderem isso, como visto na perda, pela Anitta, de multidão de seguidores com a divulgação do clipe “Aceita”, em que reforça ser do candomblé.
Eu sei que, apesar de ter curtido essa música, não sou o maior fã da obra da cantora.
Mas f**a difícil deixar passar (mais) essa atitude preconceituosa envolvendo a música e a cultura afrodescendente.
Difícil por crer que somos seres em evolução e que só vamos reduzir nossas raivas, medos e outros sentimentos negativos quando nos valorizarmos e, ao mesmo tempo, aceitarmos a diversidade da nossa espécie e aprendermos a aproveitar o que o diferente SEMPRE tem a nos oferecer.
Eis três momentos envolvendo música e religião em que tive de parar para entender o que se passava, num primeiro momento, para logo em seguida “degustar” a arte proporcionada:
🙏 Na adolescência, em um acampamento adventista aonde fui com ex-namorada que era da religião fui zombado por não ser da crença. Sublimei a indelicadeza ouvindo um prosaico canto de dois rapazes no banheiro coletivo. Era um hino em tom à capela que, tempos depois, viria a saber ser doo-wop, um subgênero do R&B. De origem afro, diga-se.
🙏 Há 6 anos, assisti a uma missa de Natal em que a elevação do espírito foi obtida não pelo sermão nem pelas falas, mas pelo canto gregoriano ao vivo que ia e voltava entre elas. Foi uma hora de bem-estar ímpar.
🙏 No ano retrasado, fui pela primeira vez a um terreiro de candomblé. Sim, fiquei um tanto impactado com elementos de sacrifício, por exemplo. Porém, como ignorar aqueles incríveis tambores? Ainda mais quando, após a parte de transe da celebração, veio aquele ritmo suave e convencedor como na música “Gema”, do Caetano Veloso.
Quer saber a minha religião? Não sei ao certo.
Mas uma coisa sei: o louvor aos deuses é matéria-prima preciosa para a arte musical, não importando aquilo em que se crê. E o contrário é totalmente verdadeiro.
Aceita. Você só tem a ganhar 😉