08/12/2025
Caio Vianna Martins nasceu em Matozinhos, município de Minas Gerais, no dia 13 de julho de 1923. Ele se mudou para Belo Horizonte com a família aos oito anos, onde estudou no Grupo Escolar Barão do Rio Branco até o 4º ano primário.
Aos 14 anos, ele ingressou no Movimento Escoteiro após iniciar seus estudos no Colégio Arnaldo e Afonso Arinos, que na época patrocinava o Grupo Escoteiro Afonso Arinos.
No dia 18 de dezembro de 1938, o grupo organizou uma excursão de trem a São Paulo com 25 membros. Os escoteiros viajaram em um vagão da primeira classe do trem noturno da Central do Brasil, quando, por volta das 2 horas da madrugada, este se chocou com um trem cargueiro que vinha em sentido contrário, provocando um terrível desastre que provocou a morte de 40 pessoas.
Caio, que na época atuava como o monitor da Patrulha Lobo, recebeu uma forte pancada na região lombar durante o choque. Após recobrar os sentidos, mesmo nesta situação, ele decidiu ajudar os outros escoteiros. O primeiro passo foi a procura dos membros que não haviam sido encontrados até o momento, o lobinho Hélio Marcos de Almeida Santos e o escoteiro Gerson Hissa Satuf, que posteriormente foram encontrados mortos.
Os escoteiros continuaram prestando os primeiros socorros a todos os feridos e fazendo uma grande fogueira para auxiliar as buscas e o trabalho de salvamento. Para isso, utilizaram todo material que tinham disponível, os colchões, cobertores e lençóis dos vagões-leito, confeccionando macas e abrigo para as pessoas mais feridas.
O acidente, que ocorreu entre as estações de Sítio e João Aires, próximo à cidade de Barbacena, só recebeu socorros às 7 horas da manhã do dia 19. A equipe de socorro transportou os passageiros feridos, inclusive alguns escoteiros, para um hospital em Barbacena. Como não havia macas para todos, e ao ver ao redor dele pessoas mais necessitadas, Caio Viana Martins recusou ser levado de maca, dizendo: “Um Escoteiro caminha com as próprias pernas”.
Foi andando, junto a seus amigos, até a cidade, mas, ao chegar ao hotel, sentiu-se mal e foi levado à Santa Casa, onde veio a falecer, por conta do rompimento de vísceras e um grave derrame interno.
Caio Vianna Martins foi sepultado no mesmo dia, no cemitério de Bonfim, na região Noroeste de Belo Horizonte, junto ao lobinho Hélio e ao escoteiro Gérson. Pela sua coragem, Caio foi reconhecido como um exemplo a ser seguido, sendo posteriormente homenageado de diversas formas: O estádio de futebol de Niterói foi chamado de ‘Estádio Caio Martins’ em sua homenagem e ele também foi homenageado no livro dos heróis do Brasil no ‘Panteão da Pátria e da Liberdade – Memorial Tancredo Neves’.
Em Barbacena, na cidade onde ocorreu o acidente, um busto em sua homenagem foi colocado na praça dos Andradas.