06/07/2026
Está na hora de pararmos de fugir das nossas lutas. Caso contrário, outra geração viverá aquilo que sonhamos e não tivemos coragem de construir...
Estamos matando nossos protagonistas. Estamos sufocando a criatividade. Os dons estão sendo engessados pelo medo da frustração. Os mais capacitados estão sendo silenciados por uma cultura que rouba nossa identidade, enquanto talentos são desperdiçados todos os dias.
Assim como eu, não precisa ser fã de futebol, para enxergar aquilo que ele é capaz de provocar em tão pouco tempo. O futebol pode até ser considerado supérfluo, mas os sentimentos que desperta não são. Eles permanecem. Criam lembranças, fortalecem vínculos, ensinam, emocionam e, por alguns instantes, fazem milhões de pessoas olharem para a mesma direção.
Isso me lembra os quarenta anos do povo hebreu no deserto. Um povo escolhido por Deus, mas que vivia como escravo. Era um povo falho. Reclamava, duvidava, caía, pecava. Muitos f**aram pelo caminho. Mas havia algo que nunca desaparecia completamente: a esperança de chegar lá. Moises precisou assumir seu chamado, mesmo com todas as suas limitações, Deus encontrou ali um coração disponível para a sua obra.
É isso que eu vejo no Brasil. Uma nação que continua acreditando que existe uma promessa pela frente. Obrigado, Copa do Mundo! Obrigado por criar oportunidades de reunir famílias, aproximar amigos e construir lembranças que permanecerão para sempre. Obrigado por despertar, ainda que por alguns instantes, um sentimento que muitas vezes f**a escondido na alma do brasileiro: de que somos gigantes. E somos muito mais fortes quando torcemos para o mesmo lado.
E não... esse texto não é apenas sobre futebol. Nem sobre política. É sobre resgate de identidade. É sobre assumir responsabilidade. É sobre um povo que precisa voltar a acreditar, não apenas na promessa, mas também no chamado de caminhar unido. Os quarenta anos não foram apenas um caminho, foram o tempo necessário para que uma geração deixasse de pensar como escrava e aprendesse a viver como povo livre.
🇧🇷