01/06/2020
NOTA DE POSICIONAMENTO
(e também um desabafo)
Nesses dias, testemunhamos uma crescente batalha contra a intolerância racial praticada por aqueles que deveriam ser os defensores e protetores da dignidade cidadã. Um ato absurdo que, mais uma vez, encerrou a vida de mais uma pessoa negra. Tal ato, gerou uma onda de revolta pedindo fim de tanta violência policial contra negros nos Estados Unidos da América. Mas aqui vamos falar da nossa casa, nosso país:
Marielle Franco (execução), Ketellen Umbelino (bala “perdida”), Evaldo Rosa (80 tiros), Claudia Silva Ferreira (arrastada pela viatura), João Pedro (ação policial), João Vitor da Rocha (ação policial durante entrega de cestas básicas), Diego Linhares (moto taxista morto durante ação policial). Estes nomes citados são somente alguns dos vários casos de sonhos, projetos e batalhas de vidas negras interrompidas, por vezes da maneira mais covarde, em ações policiais que parecem não ter quaisquer preocupações com a vida de pessoas residentes de comunidade, sendo sua maioria, negros. A fala que diz “bala perdida sempre encontra um corpo negro”, é realidade nas periferias brasileiras a anos, o que mais choca, além das mortes, são os poderes públicos agirem com senso de normalidade diante dessa brutalidade que tem tirado, cada vez mais vidas de crianças negras.
Agora, em uma crescente absurda, testemunhamos frases usadas na propaganda nazista, sendo replicada por setores do governo brasileiro, atos do grupo extremista branco Klu Klux Klan sendo reprisados diante do congresso nacional, nomes de ativistas nazistas sendo adotados por blogueiras, todos apoiados em um governo que, mais parece querer estar bem em cima do cavalo, do que se sua população morre em hospitais ou nas comunidades. Este mesmo governo que, uma vez eleito, gerou um levante extremista branco, que foi apoiado por líderes Skinheads, que se limitou a algumas notas contrarias a esses atos, mas que fez lives e encontro com apoiadores para tentar calar a imprensa livre. Apoiadores que hoje pedem intervenção militar e fechamento do STF sem qualquer base justificada na constituição ou ciência democrática e em todos os casos, saudados e apoiados pelo “líder da nação”.
Frente a isso, dizemos CHEGA, acabou a paciência, acabou a tolerância, vamos responder a altura esses ataques fascistas, essas marchas racistas e homofobicas. O corpo negro sua, sangra, sente, tem fome, tem desejo, vive e morre, tal qual um corpo branco. O corpo negro não aceita mais piadas envolvendo o falo do homem negro, ou a bunda, os peitos e o corpo sexualizado da mulher negra. O corpo negro não aguenta mais ser confundido com qualquer ladrão, ou ser seguido por seguranças em estabelecimentos sem qualquer motivo suspeito real. O corpo negro não aguenta mais ouvir que racismo não existe e perder todas as oportunidades por ser negro competindo com um branco ou nem. O corpo negro não aceita mais ser chicoteado e ouvir que isso é pro “bem e crescimento da nação”, ou mesmo ser mandado ao trabalho sem qualquer condições para isso. O corpo negro não aguenta mais ouvir que ISSO É MIMIMI.
Nós, fazedores de arte religiosa, nos posicionamos, contra essa crescente anti democrática, que alimenta notícias falsas e ataca os guardiões da justiça no nosso pais, nos posicionamos contra esse governo, que mesmo eleito democraticamente, mais parece querer agir contra a democracia, incitando um possível movimento ditatorial. Nos posicionamos contra um governo que parece querer prevalecer uma raça ou valores particulares, colocando a população negra, em especial, abaixo dele, como em campanhas eleitorais um dia passadas. CHEGA.
O GRUPO SANT’ARTE DE TEATRO E DANÇA, se posiciona contra o fascismo, contra o racismo e contra a homofobia.
A Direção.