10/06/2019
Dedicado para Geraldo Maia!
Contagem Regressiva...
A encenação está ancorada na força poética e no poder simbólico que as palavras do autor Geraldo Maia - comemorando 60 anos de vida e 40 de carreira como cantor, compositor e escritor – emanam, transmutam e encarnam através das memórias de sua vida.
O grande objetivo desta montagem, codirigida por Asaías Rodrigues e Júnior Aguiar, foi transpor, através do trabalho do ator (colocado como prisma essencial da obra) o prestigiado e pungente livro em espetáculo, dando ressonância, suor, lagrimas e energia vibrante ao que a obra possui de mais precioso e vigoroso: a luminosidade e a profunda densidade do texto que fala do EU (demasiadamente humano), do “ir às fronteiras de si mesmo” em busca de “um acerto de contas” expresso numa contundente confissão, numa profunda catarse de emoções reprimidas. Escrito com o maior apuro literário, a peça confirma a tese da pesquisa/criação ao enaltecer que “a boa literatura não pode ser feita com embustes e que no alicerce de uma obra de arte deve existir uma força que ultrapassa as classificações” como bem definiu o escritor, jornalista e publicitário Raimundo de Moraes.
Essas ideias centrais moveram o processo criativo que permanece aberto e fluido em busca de novas significações, confirmando a empática recepção da obra com o público (de leitores e espectadores) e com a crítica especializada que, anteriormente, já havia descrito e “profetizado” o natural sucesso da obra por ser “impossível parar de ler”, que tratava de “um livro inesquecível”, “uma pequena obra-prima”, “uma peça de literatura convulsiva com narrativa tão sóbria quanto expressiva”, que a história “é um mergulho de cabeça nos abismos obscuros da mente humana”.
Eis o Breu ao qual seremos confrontados, ao qual o leitor da obra literária será transformado em espectador do que o teatro pode evocar com sua magia, encanto e mistério, colocando-o ainda mais perto, por certos aspectos, até mesmo dentro, no coração acelerado daqueles acontecimentos asfixiadores.
Por fim, Breu é um novo ciclo de pesquisa e experimentação na carreira do ator Júnior Aguiar, após a conclusão da sua última pesquisa, premiada e celebrada, que abordou e projetou a vida e obra de três aclamados nordestinos: o cineasta baiano Glauber Rocha, o educador pernambucano Paulo Freire e o bispo cearense Dom Helder Camara.