21/05/2020
Antes de tudo, obrigado por teres
estado do meu lado
E ter dado força pra um gajo entrar
na morgue
E encontrar a morte
De quem me deu a vida
Dona clementina João almeida
pascoal é o seu nome
Deste força pra ligar pra casa e
lentamente matar a família pelo
telefone
Por iluminares o caminho que trilho
Por dar saúde aos meus filhos
Pelo brilho que deste ao p**o que
vivia de trocos
Hoje vive de trocadilhos
Por me ensinares a perdoar aqueles
que apontam e segregam
Que com a maldade se drogam
Na mentira se afogam
E não praticam aquilo que pregam
E o que chamam de amor é
brincadeira
Quando crianças passam fome
Com isso, não se importam
Não se revoltam
Depois é suposto morrer pela
bandeira?!
E quando fui atrás do pão no
huambo,
Cunene e Malanje
Vi que a minha angola já não tem
guerra
Mas também vi que angola ainda
não tem paz
Vi que o cabo-verdiano, o angolano
e o guineense
São bem-vindos
Ou melhor recebidos
Na europa, quando a economia em
África cresce
É interesse
Vi que o resto ao lado passa
Quando o assunto é caça à massa
A grana
Vi desgraça no olhar das crianças
Só vi uma raça
A raça humana
Que é a que ganha
Com essas mortes na cadeia
Com os atentados em Espanha
E o mundo com medo do norte da
Coreia
E a minha pele castanha é castigada
Com o suporte da assembleia
Eu vi a justiça a voar
Ela foi com os ventos fortes da
madeira
Se é luta mano, eu tou nisso
Minha palavra, minha honra,
compromisso
Minha arte, minhas rimas, meu flow
nisso
Babe, o padrinho e o pro nisso
Tornei-me um pro nisso.35