26/07/2021
"NO BANQUETE"
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No banquete de pobres e miseráveis, lá ao fundo, sai uma voz:
- De onde vens, meu amigo?
O suspiro é intenso que pergunto: queres saber d'onde venho? Está bem, ouve!
Eu venho daquele... daquele país onde se erguem escolas e não têm professores para leccionar.
Lá onde se elimina os cursos por não terem interesse neles.
Onde se formam quadros e depois dispensam ao sabor do vento porque acreditam que os mesmos não são suficientemente capazes.
Lá onde o lema, dos camaradas, é " construir no trabalho um homem novo" e desde 1975, apesar da guerra de poder, esse homem novo nunca se construiu.
Onde pobreza é moda porque os cofres do Estado estão vazios. E segundo os que contam, os dinheiros são encaixotados nos contentores, em fazendas...
Lá onde os partidos políticos são mais falsos que o decote de uma pr******ta de meia idade. Onde se luta por poder como se fosse a cura do câncer.
Onde o trabalho foi trocado pela escravatura moderna.
Onde todos querem riquezas sem se importarem com que farão.
Onde o mais Velho aponta para a Juventude que ele mesmo educou como perdida.
Onde se formam alunos e nunca tiveram quadros. Lá onde os políticos se acham deuses por terem controle da polícia e do exército.
Lá onde a fome virou moda e a bebida alcoólica chega a ser mais barata que o pão. Onde comer é um luxo para postar nas redes sociais.
Aí, o lugar de onde venho, jorra olho preto todos os anos e nunca tem dinheiro para escolas, estradas Hospitais...
[...]
Daquele país de m***a, que os concursos de miss são para os Tios depravados olharem as nossas filhas, irmãs, netas, sobrinhas... nuas para escolherem qual ou quais delas levarão para cama.
Venho daquele lugar onde a política é banhada a sangue e mentiras desde a sua infiltração no país, 1975.
Se quiser saber mais, meu amigo, eu continuo, mas... calma, eu venho já.
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Autor: António B. Gama✍