17/06/2026
SEPARAÇÃO
A separação não começa na partida, começa no silêncio que mata a palavra, no orgulho que fecha a porta, e na indiferença que apaga a chama.
Vi casais que prometeram eternidade, mas esqueceram que o amor precisa de cuidado. Trocaram o diálogo pela discussão, e transformaram um lar num campo de batalha.
Vi namoros nascerem como flores na primavera, mas morrerem antes da colheita. Não por falta de amor, mas por excesso de ego e falta de compreensão.
Vi amizades de anos serem destruídas por um mal-entendido, uma inveja escondida, ou uma palavra lançada sem pensar. O que levou anos a construir, foi derrubado em segundos.
E o que dizer dos irmãos? Filhos do mesmo sangue, criados sob o mesmo teto, mas separados por bens, heranças e interesses. A ganância sentou-se à mesa da família e expulsou a união pela janela.
Também os povos se afastam. Uns julgam-se maiores, outros julgam-se melhores. Erguem muros onde deviam construir pontes, alimentam ódios onde deviam semear respeito.
A separação é uma ferida coletiva. Ela não escolhe idade, cor ou posição. Entra nas casas, nas ruas e nas nações, deixando rastos de tristeza e solidão.
Mas ainda há esperança.
Enquanto houver quem perdoe, haverá reencontro. Enquanto houver quem escute, haverá entendimento. Enquanto houver quem ame, haverá reconciliação.
Que os casais aprendam a dialogar. Que os namorados aprendam a respeitar. Que os amigos aprendam a valorizar. Que os irmãos aprendam a partilhar. E que os povos aprendam a conviver.
Porque o mundo não precisa de mais separação. Precisa de mais união, mais humanidade, e mais coragem para dizer:
"Eu prefiro construir pontes do que levantar barreiras."
Pois quem divide colhe solidão, mas quem une constrói o futuro.