27/04/2026
Termina um mês simbólico, marcado pela celebração da mulher e pelo dia do pai. São datas que exaltam o amor, o cuidado e a responsabilidade. No entanto, a realidade que se impõe nas nossas ruas convida-nos a uma reflexão mais profunda, responsável e sóbria.
Todos os dias, cruzamo-nos com crianças entre os 5 e os 15 anos nas ruas, crianças que crescem expostas à violência, vulneráveis a vícios, com bidões de gasolina, expostas à perda gradual da sua dignidade e do seu futuro.
Importa reconhecer, que já houve esforços institucionais para inverter este quadro. Algumas dessas crianças foram acolhidas em centros e lares, numa tentativa legítima de resgate social. No entanto, a complexidade do fenómeno revela-se quando muitas acabam por regressar às ruas, atraídas por um ambiente que, embora hostil, se tornou o seu habitat.
Mas não podemos normalizar esta realidade. Cada criança na rua representa mais do que um problema social, o potencial de uma criança é incomensurável, porque nunca sabemos o que ela pode se tornar. Nela pode estar um futuro médico, engenheiro, professor ou quiça, uma autoridade política. O que sabemos, com certeza, é que ao deixá-las à rua, estamos a desenhar fissuras para o futuro social.
Os pais de hoje, devem entender que rua não pode ser casa, nem escola, devem aprender a olhar com seriedade para o que significa trazer uma vida ao mundo.
Este quadro nos impõe uma reflexão firme sobre a responsabilidade dos pais. A base de qualquer sociedade equilibrada começa na família. Quando crianças são expostas sistematicamente à rua, é necessário questionar: onde estão os responsáveis e até que ponto a ausência de penalidades contribui para a perpetuação destes ciclos.
Precisamos, enquanto sociedade, chamar à razão os pais e encarregados de educação. Educar, proteger e orientar não são opções, são DEVERES inalienáveis.
Nesta conformidade, torna-se cada vez mais pertinente propor ao nosso Executivo o reforço do quadro legal existente, no sentido de responsabilizar civil e criminalmente os pais cujos filhos sejam encontrados em situação de rua ou de mendicidade. Creio que a adoção de medidas punitivas fortes e exemplares, aliada a abordagens mais amplas que incluam apoio social, acompanhamento familiar e políticas públicas eficazes de inclusão, sejam soluções adequadas para afrontar este fenômeno.
J.U.N.T. — Juventude Unida: Nação Transformada!
Por: Wilson Domingos