08/02/2022
A rubrica peça do mês de Fevereiro (TRAJE CARNAVALESCO DO REI )
« Querem o carnaval ou não?(sim responde o povo) então vamos organizar, esse ano o carnaval. Não o carnaval dos “tugas” que eram só bailes. Vamos fazer o carnaval de rua como fazíamos antigamente» (Drº António A. Neto, Primeiro Presidente de Angola. 14.01.78). Com essas palavras o fundador da Nação Angolana, fazia renascer a esperança aos angolanos, da volta a um dos aspectos culturais mais importantes de Angola. O carnaval. Que é uma manifestação popular e que se apresenta em todo o território angolano, desde antes da chegada do colonizador; refira-se que essas manifestações tiveram o seu início nos grandes mussekes, por indivíduos que organizavam grandes grupos de pessoas que percorriam grandes distâncias a pé para demonstrarem os grandes aspectos da cultura local como: canções, danças, crenças, o modo de vida, ao som e rítmos musicais produzidos por instrumentos musicais tradicionais. Este aspecto da cultura angolana, não foi completamente desestruturado apesar de cinco séculos de domínio colonial. Hoje se fazem sentir as palavras do saudoso Drº Agostinho Neto. Assiste-se ciclicamente, o povo angolano a mobilizar-se para dançar o carnaval da victória; com desfiles dos mais diversos grupos que apresenta na sua composição um comandante, uma rainha, uma princesa, uma enfermeira (o) e os guerreiros que participam na transmissão da mensagem do grupo. O rei e a rainha são as figuras principais, e a eles seguem-se as alas de
dançarinos que constituem o tronco de toda a dança. A seguir a estes elementos, surgem as falanges que se vestem de fantazias carnavalescas e que constituem a massa associativa do grupo. Neste momento de festa e muita folia que se assiste as danças tradicionais como: Kazukuta, Dizanda, Semba, Varina. Cianda, Zindunga, Kabetula e outras que são bastante marcantes e funcionam como factores de identidade cultural para os povos. É neste contexto que mais uma vez, em alusão à celebração da 44ª edição do Carnaval, o Museu Nacional de Antropologia, traz ao público em geral o traje do rei, que tem a função de liderar a corte real, proteger a rainha, seguindo-a em todos os passos. A sua cadência se parece com o cortejar do galo a uma galinha. O traje ora exposto pertence ao grupo carnavalesco União Sagrada Esperança do Rangel. Ele é composto por coroa, casaco, saia, quatro petiles (duas laterais, duas frontais), luvas e calçados. A endumentária é feita com tecido de cetim multicolor e ornamentado com rendas e pedras de lantejoulas de várias cores e feitios. O capacete é feito de latas e pintado com várias cores. O Museu Nacional de Antropologia, coloca assim a disposição do público em geral para apreciação e por conseguinte consencializar as pessoas sobre a defesa e valorização do carnaval.